.:: Êxtase da Deusa ::.

Memorial

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Fonte: http://yto.no/hunikuinblog/wordpress2/# 


Duas versões sobre a Origem do Kene:

Kene: A Arte das Aranhas


"Nunca viram, entre as ramas das árvores, escondida mas impecável, uma enorme e bela teia de aranha? Repararam alguma vez quando ao amanhecer o orvalho em gotas e o reflexo dos raios de sol fazem-na brilhar como se fosse um tecido de fios de vidro?
Trabalhadora incansável, a aranha passa sua vida tecendo sua teia. É tão hábil, que a mão do homem inveja sua maestria.
Contam que os antepassados dos kaxinawás se vestiam com folhas de planta porque não sabiam fiar nem tecer. Um belo dia uma aranha chamada Basnempöro se apiedou deles e decidiu ajudá-los. Ocorreu-lhe uma idéia mágica: transformar-se em mulher, ir viver com os kaxinawás e fiar e tecer para eles, que isso lhes fazia grande falta.
Assim que Basnempöro se instalou na ladeira, correu a notícia de que havia chegado uma mulher que praticava a arte da fiação e da tecelagem. Os moradores começaram a levar-lhe punhados de algodão, que Basnempöro transformava em vestidos, mantas e tecidos para os mais diversos usos.
Um dia, uma kaxinawá lhe levou quatro enormes jamaxis cheios de algodão e lhe encomendou que lhe fizesse uma rede e várias peças de roupa.
Quatro dias depois, a mulher foi à casa de Basnempöro para receber suas coisas. Qual não foi sua surpresa de ver que estas ainda nõ estavam prontas.
- Que foi que aconteceu ?! – disse a mulher, colocando as mãos na cabeça – Onde estão minha rede e tudo o mais? – E completou:
- Devolva-me o algodão que eu lhe dei!
- Impossível, boa mulher. – respondeu Basnempöro – Eu engoli todo o algodão para...
- Engoliu meu algodão? Você engoliu meu algodão! – interrompeu-a, gritando, a mulher – Você é uma ladrona!
A ingrata não quis escutar a explicação de Basnempöro: Em primeiro lugar, ela precisava engolir o algodão para que uma vez este digerido saísse transformado em fio; só daí podia começar a tecer. A mulher lhe tinha trazido tanto algodão, que a aranha não tivera tempo de transformá-lo em fio. Mas a dona dos quatro jamaxis de algodão estava furiosa e foi de casa em casa contando às pessoas que Basnempöro lhe havia roubado seu algodão.
Os rumores se espalham como o vento, sempre dão a volta e regressam. A aranha se inteirou do que se dizia dela por boca de uma amiga, e ficou muitíssimo aborrecida. Apressou seu trabalho, terminou a rede e as demais peças, e chamou a mulher que a tinha difamado.
- Estão aqui suas coisas. – lhe disse – E também este novelo de linha que sobrou. Pega tudo e vai embora. Sei que você esteve falando mal de mim. Não quero mais nada com você nem com seu povo.
A mulher, envergonhada, se foi sem dizer palavra.
No dia seguinte, Basnempöro foi à casa de sua única amiga e lhe disse:
- Cansei de viver aqui. Quando vim, o fiz com a intenção de ajudá-los. Mas vocês não souberam apreciar minha boa vontade. Por isso nunca voltarei a trabalhar para vocês. Mas você, como foi minha amiga, vou lhe ensinar os segredos do fiar e do tecer. Se quiser, poderá ensinar aos que queiram aprender.
Assim o fez, e depois desapareceu e voltou a usar sua forma original de aranha.
A partir de então, graças aos ensinos que deixou Basnempöro, as mulheres kaxinawás sabem fiar e tecer com grande habilidade, apesar de que talvez jamais alcancem a perfeição e delicadeza da teia de aranha."

Fonte: Terra Brasileira e Gioviluna
Retirado do site: http://karipuna.blogspot.com/2009_03_01_archive.html

Bimi - Mestra de Kenes / Kene Master (Hunikui)


MITO – ORIGEM DO KENE
(Versão contada por Agostinho Muru)

"Uma mulher chamada Siriane saiu para apanhar água no igarapé. Já bem distante de sua casa encontrou, atravessando o caminho, uma enorme tumuyã. Quando Sirene viu a tumuyã, ficou paralisada, admirando os desenhos do corpo da cobra. Não conseguia afastar o olho daqueles desenhos tão bonitos!
Enquanto isso, a cobra foi chegando bem devagarinho, aproximando-se cada vez mais de Siriane. Quando estava bem próximo, a cobra transformou-se em um lindo rapaz e perguntou a Siriane:

- O que você acha de mim? O que admira tanto?

Siriane respondeu que estava admirada com os kene do seu corpo, e queria ser uma mestra do kene para fazer aqueles desenhos em sua rede e nas roupas do seu marido.
O rapaz respondeu a Siriane que se ela estava interessada ele poderia ensiná-la. Mas, com uma condição: Siriane tinha que ensinar todo o aprendizado para as outras mulheres e, além disso, fazer tudo do jeito que ele lhe ensinasse.
Siriane concordou com tudo o que a cobra lhe disse. Mas o rapaz ainda lhe fez outra advertência: para aprender, Siriane não podia ter medo. O rapaz tinha que se transformar de novo em cobra.
Depois da transformação, a cobra foi se enrolando no corpo de Siriane até chegar bem pertinho da cabeça dela. A cobra falava tão baixinho, que só Siriane podia ouvir.
O primeiro desenho ensinado a Siriane foi o txere beru. Este é o primeiro desenho que se aprende para poder aprender os outros kene.
Ficaram ali juntos algum tempo. Siriane voltou para casa impressionada com o acontecido, e foi direto para seu tear estudar o txere beru. As outras mulheres ficaram muito admiradas e perguntaram onde ela tinha aprendido aquele desenho tão lindo! Siriane falou que estava tirando o desenho de sua própria da cabeça.
As mulheres também ficaram muito interessadas em aprender e Siriane começou a ensinar às outras mulheres que se interessavam. Duas vezes na semana ela ensinava para as mulheres da aldeia. Os outros dias ela ia para a mata encontrar com a cobra jibóia para aprender mais desenhos.
As pessoas começaram a ficar curiosas:

- O que será que Siriane faz tanto na mata?

Siriane não dizia nada para ninguém. O marido de Siriane também começou a ficar cismado. Ela não ligava mais para os trabalhos da casa... Só pensava em trabalhar com seu tear.
Então, cada dia, cada semana, ela foi aprendendo mais outros tipos de kene. Um dia, tumuyã revelou a Siriane que era o encantado do kene. Que seu nome era Yube. E relembrou a Siriane o dilúvio que havia acontecido há muitos anos passados, em que muitos Huni Kuin foram transformados em vários seres da floresta. Ele, Yube, quando foi tocado pelas águas do dilúvio estava em uma rede com kene de tumuyã, por isso foi transformado em cobra. E guardou toda a sabedoria do kene.
Essa notícia deixou Siriane muito feliz. Então pediu a Yube que voltasse a viver junto com seu povo. Mas Yube respondeu que não podia mais se transformar no que havia sido no passado. Por isso queria ensinar todos os kene para Siriane, para ela poder ensinar ao seu povo.
Além de ser um encantado do kene, Yube também sabia tudo o que se passava na aldeia. Em um de seus encontros, avisou a Siriane sobre a desconfiança de seu marido. Ele estava ficando muito cismado com as viagens de Siriane para mata. Avisou que os dois estavam correndo perigo de vida. Se o marido os encontrasse juntos, seria capaz de matá-los.
Mas Yube não podia mais parar de ensinar. E nem Siriane podia parar de aprender. Então Yube falou que estava na hora de Siriane contar o seu segredo para os seus parentes. Pediu que ela contasse para a sua melhor amiga da aldeia. Caso acontecesse alguma coisa a eles, o povo ficaria sabendo de onde tinham vindo os kene que Siriane apresentava.
Quando Siriane voltou para casa, fez o que Yube havia lhe pedido. Em poucos dias todos ficaram sabendo do segredo de Siriane.
O marido também ouviu as conversas do segredo de sua mulher e ficou com muito ciúme. Ele olhava para Siriane e ficava pensando:
- Será possível que a minha mulher está me traindo com uma cobra?
Aquele pensamento era uma coisa horrível na cabeça do marido de Siriane. Ele também ficou envergonhado na frente dos seus parentes, pois todos comentavam os encontros de sua mulher com a jibóia.
Um dia, quando Siriane saiu para a mata, ele saiu atrás. Escondido atrás dos troncos das árvores, chegou até onde Siriane e Yube se encontravam. Quando viu os dois abraçados, sentiu uma dor muito grande no seu coração, e com sua borduna matou Siriane e Yube.
Contaram os antigos que Yube tinha muitos outros kene para ensinar para Siriane. E eram kene do tempo anterior ao dilúvio. Nesse tempo os kene tinham um outro dono: Besã.”

Fonte: “Kene : A Arte dos Huni Kuin”, catálogo da exposição organizada por Dêde Maia, CNFCP, Rio de Janeiro, 1999


kenes
é muito rica e reconhecida a produção de grafismos, desenhos ou kenes dos povos indígenas de nossa região; é uma expressão cultural que se utiliza de dois suportes principais: os objetos, principalmente a tecelagem, e a pele humana, o corpo ritualizado; pesquisa
organize uma pesquisa sobre os kenes com roteiro, entrevistas histórias e desenhos;"

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One Response so far.

  1. Adorei esta postagem. Grata grande irmã, por sua contribuição em meu caminho.
    Beijocas
    Ana Paula Andrade (Kene)

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