.:: Êxtase da Deusa ::.

Memorial

* Navegue no interior do site pelas "palavras de toque" ou através do "Arquivo do blog".

"Antigamente não existiam potes de barro.Uma moça queria fazer chicha e não tinha panela. A mãe virou pote para a filha cozinhar.

Um homem espiou a mulher se transformando em pote e foi contar logo ao marido da moça:

- Tua mulher faz chicha com o corpo da tua sogra! Essa velha cheira mal, você bebe chicha com a catinga da pele da velha!

O marido ficou enojado ao ouvir. mas duvidando que fosse verdade, pediu a mulher outra vez chicha; ficou espreitando escondido. A sogra já estava no fogo, para a filha cozinhar.
Furioso, o marido aproximou-se do fogo, quebrou o pote, derramou o milho, estragou a chicha. A velha já não virou mais gente.

A filha ficou com raiva:

- O que você quebrou não era para quebrar, não!

Chorando, juntou todos os pedaços de barro, montou os cacos do pote. Chorou duas noites e dois dias sem parar; na terceira noite, não agüentou mais e dormiu um pouco. A mãe lhe apareceu em sonho, pedindo que se acalmasse e enxugasse as lágrimas. Prometeu fazer alguma vasilha para a filha cozinhar a chicha.

- No lugar do fogo onde eu me esquentava como pote, cozinhando a sua chicha, vai aparecer uma bolha de barro. Você abre o barro e tira o de dentro. Você vai poder fazer um pote para você.

A filha acordou e chorou de novo. No lugar onde era o fogo, apareceu uma bolha de barro, como um olho-d´água que sai do chão. Ela abriu um pouquinho o barro de cima, tirou o de dentro e fez um pote grande. Depois de feito, deixou secar e queimou bem, assando. Ficou feitinho.

Desde então é que apareceu o barro para fazer pote e até hoje as mulheres sabem fazer potes."

Narradora: Wadjidjika Nazaré Arikapu
Lenda Arikapu
"Moqueca de maridos", Betty Mindlin e os narradores indígenas


cerâmica marajoara

*O alimento cozido no ventre da mãe.

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