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Memorial

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Nestas últimas décadas, pós "revolução sexual", fala-se muito sobre o resgate da feminilidade, mas o que seria isso exatamente?

Enquanto grande parte das mulheres saíram do espaço doméstico para o espaço público, e vem se afirmando profissionalmente e academicamente nas mais diversas instâncias, e embora vivenciem sua sexualidade mais livremente e sejam hoje uma grande parcela da comunidade econômicamente ativa do país e do mundo. Ainda que se fale em uma era pós-feminista, será realmente que a mulher esta liberta?

Fala-se em feminilidade, em se afirmar o papel da mulher no mundo, em valorizar o que temos naturalmente de melhor, mas...o que será que isso quer dizer?

Esta confusão sobre o feminino....abre margem a uma série de percepções equivocadas que acabam sendo preenchidas com um discurso da auto-estima baseada única e exclusivamente em valores materialistas. Afirmar-se feminina hoje, para uma parte das mulheres que encarnaram este discurso, é corresponder aos padrões de beleza, moda e postura social hegemônico ou desejáveis (pelo ponto de vista de outras mulheres ou dos homens). Ainda que se tenha saúde, e que haja um cuidado pessoal para o bem-estar, não corresponder a estas expectativas faz com que as mulheres sintam-se seguras em relação a sua auto-estima?

Este conjunto de perguntas são essenciais para refletirmos sobre real significado da palavra feminilidade.

Recorrentemente pensa-se "na queima dos sutiãs", ícone do movimento radical feminista da década de 70, com um certo pânico de que vamos abdicar do nosso posto de mulher. Mas esquece-se que nesta época uma das grandes preocupações do movimento de mulheres era a de que para alcançarmos de fato um sentimento de libertação, para sermos quem somos, sem estarmos aprisionadas a esteriótipos e padrões de comportamento, um questionamento mais profundo a respeito do "que é ser uma mulher?" deveria acontecer ,não apenas para aquela época, mas nas futuras.

Agora, em 2010, quase 40 anos depois de toda esta polêmica encontramos um incontável número de matérias mostrando que os avanços neste sentido foram mínimos:
A questão aqui não é fazermos um julgamento de valor. Muitas de nós refletimos estas realidade, em preocupações com peso, com rugas, pele, flacidez, celulite, estrias, cabelo (...). Mas que auto-estima é essa que precisa de uma série de de recursos para se manter? Que não permite que o envelhecimento natural aconteça, que não aceita a diversidade e a naturalidade? Que através dos seus ícones de estética hegemônicos, nos apresenta dois modelos de mulheres que devemos nos aproximar, ou das magérrimas atrizes e modelos (cada dia mais magras, por sinal) ou das "gostosas" malhadas e turbinadas por um incontável número de plásticas? (...).

Resgatar o feminino, no melhor sentido da palavra, está longe de escravizar-se.

É conhecer o próprio corpo verdadeiramente e dar a ele o alimento e o cuidado para a saúde física, mental, emocional , sexual e espiritual. É entender o sentido de sagrado que habita em nosso corpo e espírito  e  que amplia nosso senso de amor e de aceitação de nossas características étnicas e etárias. Que cuida das dores e doenças do corpo, instaladas primeiramente na alma. É fortalecer nossa auto-estima na resolução destes dilemas, partindo do pressuposto de que isso não é um problema apenas pessoal, mas uma realidade social a ser transformada. É resgatar sim, os valores culturais ancestrais,  e aqueles passados de mãe para filha, que levem a um maior entendimento e sabedoria nas experiências trocadas em histórias de superação e crescimento. É compreender que entre estes valores está a cultura do cuidado, do amor, do compartilhar e ensinar isso as filhas e filhos, incorporando-os na educação , de forma a construir os novos valores  que servirão de âncora para as próximas décadas.

Para nós, um desafio transpessoal, ainda que os frutos sejam vividos em nossa experiência particular, criar e fortalecer uma nova cultura, torna-la cada dia mais crescente e disseminada entre as mulheres, e ensinada aos homens. Valorizar os homens que estão receptivos e abertos a estas mudanças. Enxergar-se como agente de transformação deste mundo.

Aí sim, pode-se falar de uma era pós-feminista, com tudo que esta mudança de paradigmas pode possibilitar - a não violência, o respeito a diversidade, a mudança na relação com a terra e seus os recursos, (...).


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One Response so far.

  1. Úrsula Borelli says:

    Pode contar comigo! Sugiro um encontro mensal para uma elaboração de um projeto que visa alcançar este objetivo. As mulheres hoje não estão libertas, estão cada vez mais reprimidas... Perderam a sua feminilidade pelo caminho e agora estão perdidas. Não conseguem separar vida profissional, pessoal (mulher), mãe, dona de casa, etc. Auto estima baixa, enfim, não sabem a magia que é o "ser mulher". Existem mais Drag queens femininos do que as próprias mulheres - no bom sentido, eles roubaram toda a nossa feminilidade e as mulheres estão cada vez mais se parecendo com homens no jeito de ser e agir. Perderam o dom da conquista, do jeitinho feminino de ser... Maiores contatos, deixo meu e-mail ursulaborelli@ig.com.br. Sou educadora física e dou aulas e técnicas de danças sensuais, onde trabalho o auto-conhecimento e a expressão corporal, auto estima através da dança onde a mulher aprender a resgatar o feminino, seus conceitos e qualidade de vida.

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