.:: Êxtase da Deusa ::.

Memorial

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Um círculo de arte, cultura, cura e espiritualidade feminina localizado em Botafogo, no Rio de Janeiro.

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1º Parte.


"Segundo os mitos da tradição afro-descendente, já que o mito é o discurso em que se fundamentam todas as justificativas da ordem e da contra-ordem social negra, a luta pela supremacia entre os sexos é constante, simbolizada na ìgbá-dù (cabaça da criação), já que o òrì s à Y e m o ja Odùa, princípio feminino de onde tudo se cria - representação coletiva das Ìyámí ou mães ancestrais, é a metade inferior da cabaça e Obatálá ou Òòsààlà, princípio masculino, a metade superior. A relação Odùa/Obatalá, entendida simbolicamente, não representa uma simples relação de acasalamento do princípio feminino com o masculino.
Há um princípio de completude do outro, de que a vida se constrói de mãos dadas e de que cada um de nós à medida em que estabelece esta relação, estabelece um elo mais completo com as coisas que estão à volta.

Significa todo um processo de equilíbrio e de harmonia. Para se entender bem tal relação, se faz necessário situar as mulheres do ritual G È L È D È , que representam o culto às ÌYÁMÌ, as grandes mães ancestrais, encabeçadas por:Nàná ,Y e m o ja Odùa, Òs un Ijimu, Òs un Ìyánlá,Yewa e O ya. ODÙA simboliza a grande representante do princípio feminino, sendo o elemento responsável por todo o poder criador, do poder das mulheres, liderando o movimento das ÌYÁMÌ, grandes mães ancestrais, que tudo criaram, transformaram e transmutaram desde o princípio dos princípios da formação do universo.

A sociedade G È L È D È S, que já existiu no Brasil, é um ritual de mulheres que vestem panos coloridos - diferentes panos mostrando diferentes procedências. São as diferentes raízes que as pessoas podem ter na maternidade. A máscara È F É -G È L È D È que cobre a cabeça da mulher vai representar o mistério, o maravilhoso, na cultura negra. O uso da máscara significa o símbolo de outro espaço, um espaço vivo, um espaço invisível que não se conhece, mas sente-se!
No Brasil esta sociedade existiu, sua ultima sacerdotisa suprema foi O m ó ník é Ìyálóde-Erelú que tinha o nome católico Maria Julia Figueiredo, uma das Ìyálà se do Il è Ìyá-Nàsó , com sua morte cessaram-se as festividades , que eram realizadas no bairro da Boa Viagem. O propósito da sociedade G È L È D È é propiciar os poderes míticos das mulheres, cuja a boa vontade deve ser cultivada porque é essencial a continuidade da vida para esta sociedade.


Sem o poder feminino, sem o princípio de criação não brotam plantas, os animais não se reproduzem, a humanidade não tem continuidade. Assim, o princípio feminino é o princípio da criação e preservação do mundo: sem a mulher não existe vida, sendo, segundo os mitos, ser reverenciada e respeitada pelos orixás e pelos homens.

As G È L È D È e suas máscaras se tornam uma metáfora, sendo uma linguagem para a mãe natureza. O G È L È é um símbolo das G È L È D È porque personifica o útero, pois ele carrega as crianças e as protege. Através das Ìyámì (mães ancestrais) a arte das máscaras é usada para aglutinar as pessoas que se relacionam como filhos de uma mesma mãe, fazendo com que o espírito se manifeste através desta máscara, seguindo e alimentando o espírito humano. Representam o não uso da violência para resolver questões. Nas culturas negras a mulher está presente em todos os lugares.

As máscaras tem grande importância na vida religiosa, social e política da comunidade, mostrando as diferentes categorias de mulher:

- mulher secreta - ligada ao divino, serve como passagem e receptáculo do sagrado no mundo dos vivos, por gerar frutos.
-mulher símbolo político - não usa violência para resolver as questões, aglutinando as pessoas, vivendo o cotidiano.
- mulher sagrada - símbolo de todos os tempos, pois está virada para o futuro, sempre vulnerável e frágil, mas é aquela que abre o céu ( Ò run) e deixa lugar para a mudança, o futuro, e para a transformação."

2º Parte.
3º Parte.
4º Parte.
5º Parte.


Fonte:  Elleguá
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"As mãos de um punhado de mulheres fazem do Amapá a região recordista em partos normais no Brasil das cesarianas

Elas nasceram do ventre úmido da Amazônia, no extremo norte do Brasil, no Estado esquecido do noticiário chamado Amapá. O país pouco as escuta porque perdeu o ouvido para os sons do conhecimento antigo, para a música de suas cantigas. Muitas não conhecem as letras do alfabeto, mas são capazes de ler a mata, os rios e o céu. Emersas dos confins de outras mulheres com o dom de pegar criança, adivinham a vida que se oculta nas profundezas. É sabedoria que não se aprende, não se ensina nem mesmo se explica. Acontece apenas.

Esculpidas por sangue de mulher e água de criança, suas mãos aparam um pedaço ignorado do Brasil. O grito ancestral ecoa do território empoleirado no cocuruto do mapa para lembrar ao país que nascer é natural. Não depende de engenharia genética ou operação cirúrgica. Para as parteiras, que guardaram a tradição graças ao isolamento geográfico do berço, é mais fácil compreender que um boto irrompa do igarapé para fecundar donzelas que aceitar uma mulher que marca dia e hora para arrancar o filho à força.
 
Quase 90% da população do Amapá, composta de menos de meio milhão de habitantes, chega ao mundo pelas mãos de 752 "pegadoras de menino". Campeão no Brasil em partos normais - e ostentando o segundo mais baixo índice de mortalidade infantil -, o Estado fez do nascimento tradicional uma política pública. Encarapitadas em barcos ou tateando caminhos com os pés, a índia Dorica, a cabocla Jovelina e a quilombola Rossilda são guias de uma viagem por mistérios antigos. Cruzam com Tereza e as parteiras indígenas do Oiapoque, onde já começou o Brasil. Unem-se todas pela trama de nascimentos inscritos na palma da mão. "Pegar menino é ter paciência", recita a caripuna Maria dos Santos Maciel, a Dorica, a mais velha parteira do Amapá. Aos 96 anos, mais de 2 mil índios conheceram o mundo pelas suas mãos pequenas, quase infantis. Dorica - avó, mãe, madrinha - nem mesmo gostaria de possuir o "dom". "O dom é assim, nasce com a gente. E não se pode dizer não", explica. "Parteira não tem escolha, é chamada nas horas mortas da noite para povoar o mundo." O espectro quase centenário é visto quando se navega pelos rios do Oiapoque iluminado apenas por uma lamparina. Viaja acompanhada da irmã Alexandrina, de 66 anos. "Mulher e floresta são uma coisa só", compara Alexandrina. "A mãe-terra tem tudo, como tudo se encontra no corpo da mulher. Força, coragem, vida e prazer." Quando os remos cortam o rio, são perseguidos pelos olhos fosforescentes dos jacarés. "Não tem perigo. Eles só comem cachorro e sandália", tranqüiliza Dorica. "Abrimos o bucho de um, dia desses, e era só o que tinha." Dorica lembra dos 16 abortos do próprio ventre, ela mesma impedida de ter um filho por desígnios que não lhe cabem invocar.

Está cansada, confidencia. "Queria pedir a Deus o meu aposentamento de parteira." Deus é ainda menos apressado que o ministro da Previdência: até agora, não deu resposta ao pedido. Assim, Dorica crava os pés nus no chão sempre que alcança o destino e acocora-se entre as pernas da mulher. Alexandrina abraça o corpo da gestante com as pernas, por trás. Das entranhas do corpo feminino Dorica nada arranca, apenas espera. "Puxa" a barriga da mãe endireitando a criança, lambuzando o ventre com óleo de anta, arraia ou mucura (gambá) para apressar as dores. Perfura a bolsa com a unha se for preciso e corta o cordão umbilical com flecha se faltar tesoura. "Pegar menino é esperar o tempo de nascer", ensina. "Os médicos da cidade não sabem e, porque não sabem, cortam a mulher." No escorrer de oito dias, Dorica abandona a roça de mandioca.

É missão da parteira lavar, cozinhar, "puxar" o útero para que a mulher fique sã. É obrigação pentear o seio para que o leite jorre entre os lábios do menino. É sabedoria aspirar o nariz do bebê com a boca até ouvir o choro. Cumpridas as etapas, Dorica entrega a mulher ao marido: "O que eu podia fazer pela sua mulher eu já fiz. Agora você tem de cuidar da família". O marido agradece. "Se eu puder lhe dar alguma coisa, lhe dô." E Dorica responde: "Deus dá o pago". E o diálogo se encerra. É tudo. E é assim há mais de 500 anos. Dos mais de 2 mil partos consumados no chão da Amazônia, Dorica só perdeu três. Não passa um dia sem lamentar. "É uma criança que faltou na comunidade", constata. Na cultura dos povos da floresta, ninguém é substituível. Ou descartável. A vida que feneceu antes de vingar será chorada para sempre. Brasil de cesarianas · 24% dos 2,6 milhões de partos anuais são cirúrgicos · Mato Grosso do Sul é o recordista, com 40,46% · Apenas entre 5% e 10% dos partos requerem cirurgia · A cada 10 mil partos normais morrem duas mulheres. A cada 10 mil cesarianas sucumbem sete · O SUS paga R$ 194,79 por parto normal e R$ 293,84 por cesariana A parteira dá adeus enquanto a canoa some no rio. A arara a observa de um galho, um bando de papagaios corta o céu em algazarra, uma menina se banha no igarapé antes da escola. Dorica pousa a mão no velho coração e, pronunciando palavras silenciosas, arranca de lá a bênção aos que partem. Depois, dá as costas e vai pitar tabaco enquanto espera a hora em que o quinto filho de Ivaneide Iapará irá esmurrar a porteira do mundo pedindo passagem.


As parteiras da floresta comungam da religião católica. Algumas adotaram as pentecostais. Outras são espíritas, batuqueiras. Mas no coração vive uma religião antiga, em que a grande deidade era feminina. Aquela que governa o nascimento-vida-morte, presente-passado-futuro. No tempo dos ancestrais, a relação entre o sexo e os bebês era desconhecida, tabu insondável de onde surgiram os mitos da cobra grande ou do boto fecundador. Hoje, mesmo invocando um deus masculino, o Espírito Santo ou os orixás, elas guardam uma herança silenciosa em que o feminino é fonte de toda a vida, e cada mulher é a guardiã do mistério. Quando remam quilômetros por rios ou vão "de pés" para auxiliar uma igual a consumar o milagre da vida, o parto é símbolo de resistência, uma lembrança subversiva de que cada mulher guarda um pouco da deusa.

Aos 77 anos, Jovelina dos Santos é a parteira mais afamada de Ponta Grossa do Piriri, lugarejo a cerca de 100 quilômetros de Macapá. "Deus me deu esse prestígio", anuncia da porta do casebre. Tem mais rugas no rosto que a noite tem estrelas. Risonha, quando abre a boca parece que vai se desprender um pedaço do mundo. Não que Jovelina seja exatamente feliz: ri porque decidiu não ficar triste. De uma simplicidade complexa, ela quando acorda nem sempre sabe se vai comer antes de outro amanhecer. Pelo parecer de Jovelina, é mais rica que a maioria. "Filho é riqueza, minha irmã." De novo a filosofia. "No meio deste fundão de morte, ou a gente vai enchendo o mundo de filhos ou desaparece." Só assim para entender quando a cabocla Jovelina esconde os dentes, ameaçando mergulhar o planeta na escuridão: "Só tive oito". Como só? "Só, oras. É tão bom parir..." E emenda, no tom de quem desfruta safadezas: "E de fazer gosto mais ainda". Jovelina junta gente quando conta como estreou no ofício. Vale bem pagar ingresso para ouvi-la. "O primeiro foi com Isabel, mulher do compadre Sevério, que estava lá para o povoado da Volta das Cobras. 'Deixa, compadre', disse mamãe, 'que a Isabel fica com nós.' De noite Isabel teve a febre, sentiu tremor de frio, não falou um ai. De manhã mamãe foi pra roça, fiquei eu mais Isabel. 'Jovita, bota água para um banho.' 'Tá aqui, Isabel', disse eu. 'Sabe que de madrugada me deu um grande tremor de frio?', disse ela. 'Foi, Isabel?', disse eu. 'Foi, Jovita.' Tava penteando o cabelo quando se deu o despejo. 'Jovita, minha mana, me acode.' Peguei o menino. Tava frio, tava morto. Quando mamãe chegou, perguntou: 'Que tal, Jovita?' 'Tá bom, mamãe.' Aí, ela disse: 'Bem, minha filha, a partir de agora você vai no meu lugar'. E eu fui." Simples assim.

De ajutório, Jovelina só conta com São Bartolomeu, advogado das parteiras, como São Rai mundo, Nossa Senhora do Bom Parto e outras santidades. São Bartolomeu, não. Para Jovita, é "São Bertolamê", um tantinho afrancesado e com muito mais brilho. "Às 4 horas da tarde, Bertolamê se levantou e seu bastão se 'amantumou'. Em seu caminho, caminhou. Encontrou Nossa Senhora, perguntou onde vai Bertolamê. Vou à casa de Nossa Senhora. Vai, Bertolamê, que lá te darei bom condão. Onde não morre mulher de parto nem menina abafada." Pronto. Basta recitar a oração e o menino desliza floresta abaixo, pousando nas mãos de Jovelina. "O que essa mulherada sofre na maternidade é um golpe", apavora-se. "Aqui, se o menino acomodou de mau jeito, a gente vai e dobra. Vou puxando até ele se ajeitar, botar a cabeça no lugar. Aí não precisa cortar. Médico, coitado, não sabe dobrar menino." País de parteiras · 60 mil aparadoras realizam 450 mil partos anuais · Apenas 6 mil estão organizadas em rede · Elas querem reconhecimento da profissão e acesso aos direitos trabalhistas · O SUS paga R$ 54,80 por parto domiciliar, mas poucas recebem · No Amapá, têm capacitação e material. E integram programas de renda mínima Na despedida, Jovelina chama os "filhos de umbigo" para exibir. Planta as pernas de Garrincha, bota as mãos de bênção na cintura e dá um grito: "Venham cá, seu bando de abestado! Ô, se minha mãe tivesse me botado na escola, eu não tava dando murro para passar". Abre de novo o sorriso para dar uma alumiada no céu e se enternece: "Ô, filharada bonita, é não?" Parto é mistério de mulher. Feito por mulheres, entre mulheres.

Está além da compreensão das parteiras da floresta que a vida se desenrole em berço de morte, no hospital, como se doença fosse. Para cada parteira, a dor primal é o prenúncio do êxtase do nascimento. Parto, com as devidas desculpas à condenação divina, não é sofrimento. É festa. "Eu sou de um tempo em que já tinha de ser mãe de filho para conhecer o mistério. Donzela não conversava de sexo para não sentir prazer no falar", conta Rossilda Joaquina da Silva, de 63 anos, 11 filhos, 20 netos, quatro bisnetos. "Quando é hora do menino chegar, a mulherada se reúne e é uma graça." Negra, negríssima, como a terra do quilombo do Curiaú, nos arredores de Macapá. Abre os braços gorduchos, musculosos de pegar menino, alinhavar vestidos e benzer doentes: "Curiaú de Dentro, Curiaú de Fora, fiz os partos no de aqui e no de lá. Tudo aqui nasceu pela minha mão". Solene, Rossilda larga a vassoura para contar a sina, sacudindo-se na cadeira de balanço ao som de cantiga para apressar parto embaraçado: "Valei-me, Senhor, meu glorioso São João! São João foi ancorado lá no Rio de Jordão.

Valha-me Deus, ó Deus de misericórdia! As cordas que me ouvem haverão de me levar". Rossilda pega o rumo de cada parto acompanhada de outra parteira, Angelina. Em espírito invocado, porque Angelina deixou este mundo há muito. O segredo dessa dupla de vivente e não vivente não conta. "Senão, perde a valoridade." Quando a hora chega, vencidas as nove luas, os homens são despachados para não fazer zoada. Parto é festa feminina. Vem vizinha de todo canto, comadre e não comadre. Enchem a casa, fazem café e mingau e se põem a contar casos e piadas para distrair a barriguda. Rindo um pouco, rezando outro tanto, de branco dos pés à cabeça, Rossilda vai ajeitando a criança, vigiando a dor. Quando se vê, "lá vem o menino escorregando pro mundo". O pai é chamado então para engatilhar a espingarda e dar dois tiros para cima, se for menina, ou três, para o caso de ter nascido menino. Se for homem, mais um Joaquim ou Raimundo. Mulher, obviamente Maria. Se despede rimando, a Rossilda: "Tenho mão limpa e coração puro. Sou parteira, trago criança ao mundo".

A floresta das parteiras é assim, uma terra de cantorias. "Quem disse que não somos nada, que não temos nada, já se enganou. Repare nós organizadas e bem preparadas, com as parteiras estou...", cantarola Tereza Bordalo, de 51 anos, parteira desde os 16. Convoca as irmãs para o ritual de agradecimento, vai cumprimentando as amigas de Saint George, na Guiana Francesa, com um Bonsoir, ça va bien? No outro lado do Rio Oiapoque, são todas madames. Ou melhor, "madam". Como madam Marie Labonté, que penetra na mata em busca da pele das serpentes. "Tomando chá de pele de cobra, o menino nasce sem dor, oui?" Do fundo da floresta, as parteiras vão surgindo tímidas, silenciosas. As mãos da vida se agarram, os pés do caminho se plantam em círculo no útero da mata quando agradecem à divindade ao amanhecer. Assim como a criança, o dia nasce sem outra força que não seja a da natureza. Surge em hora precisa, sem que ninguém tenha de arrancá-lo do ventre da noite.

Elas erguem as velas pedindo iluminação no ofício. Invocam a terra, o rio e a floresta. É uma conversa de comadres, uma prosa ao pé do ouvido. A imagem primitiva parece falar a uma sociedade surda - esquecida do cordão umbilical com algo maior que o mundo forjado dentro do mundo. Do útero circular, a índia Nazira Narciso aviva a chama: "Índia, crioula, brasileira, é uma dor só. É tudo o mesmo chorar. O mesmo coração de mulher".

A roda se desfaz e as parteiras pegam a barca para singrar os rios da fronteira do Brasil. Uma "pegadora" em prosa e verso Aos 92 anos, Juliana Magave de Souza é a mais antiga parteira de Macapá "Escuta o que eu vou lhe dizer. Nasci em 20 de janeiro de 1908, dia de São Sebastião. Casei com 15 anos, por amor e mais nada. Comecei a partejar com fé em Deus e sozinha. Minha avó me deixou o endereço. Minha Virgem Nossa Senhora, minha Santa Catarina, aja no momento, no minuto me ajudando. Eu nem gostava de ser parteira, mas tinha de estar presente. Meu Deus do céu, nesse meio não se fica sossegada, se está sempre ocupada. Fiquei com as mãos aleijadas pelo sangue da mulher. Estes nós todos, esta paralisia. Este sangue é muito forte, vai encaroçando sem que a gente faça fé. Minha única filha não quis que eu aparasse o menino, morreu de parto por sua vontade. Anunciou que seguiria o pai, Manoel Carapuça, que havia se ido meses antes. Quando me chamaram já era tarde, minha filha estava perdida. Criei os nove filhos dela, mais outros quatro por fora. Fazendo queijo para um tal de Moacir Gadelha, caçando de espingarda. Neste mundo fiz 339 filhos de pegação. Todos me chamam de mamãe. Era importante a vida antiga porque de tudo se entendia. Agora não se entende é mais nada. Tão aqui estas mãos. Elas são o mostruário do trabalho que eu fiz. Tá bom? Então tá. Ô Virgem, sua vontade é da minha também."

Eliane Brum -
Fonte: Tv Cultura - Caminhos
Maria Doula, o resgate!


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Dança, criação e feminino.


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Nestas últimas décadas, pós "revolução sexual", fala-se muito sobre o resgate da feminilidade, mas o que seria isso exatamente?

Enquanto grande parte das mulheres saíram do espaço doméstico para o espaço público, e vem se afirmando profissionalmente e academicamente nas mais diversas instâncias, e embora vivenciem sua sexualidade mais livremente e sejam hoje uma grande parcela da comunidade econômicamente ativa do país e do mundo. Ainda que se fale em uma era pós-feminista, será realmente que a mulher esta liberta?

Fala-se em feminilidade, em se afirmar o papel da mulher no mundo, em valorizar o que temos naturalmente de melhor, mas...o que será que isso quer dizer?

Esta confusão sobre o feminino....abre margem a uma série de percepções equivocadas que acabam sendo preenchidas com um discurso da auto-estima baseada única e exclusivamente em valores materialistas. Afirmar-se feminina hoje, para uma parte das mulheres que encarnaram este discurso, é corresponder aos padrões de beleza, moda e postura social hegemônico ou desejáveis (pelo ponto de vista de outras mulheres ou dos homens). Ainda que se tenha saúde, e que haja um cuidado pessoal para o bem-estar, não corresponder a estas expectativas faz com que as mulheres sintam-se seguras em relação a sua auto-estima?

Este conjunto de perguntas são essenciais para refletirmos sobre real significado da palavra feminilidade.

Recorrentemente pensa-se "na queima dos sutiãs", ícone do movimento radical feminista da década de 70, com um certo pânico de que vamos abdicar do nosso posto de mulher. Mas esquece-se que nesta época uma das grandes preocupações do movimento de mulheres era a de que para alcançarmos de fato um sentimento de libertação, para sermos quem somos, sem estarmos aprisionadas a esteriótipos e padrões de comportamento, um questionamento mais profundo a respeito do "que é ser uma mulher?" deveria acontecer ,não apenas para aquela época, mas nas futuras.

Agora, em 2010, quase 40 anos depois de toda esta polêmica encontramos um incontável número de matérias mostrando que os avanços neste sentido foram mínimos:
A questão aqui não é fazermos um julgamento de valor. Muitas de nós refletimos estas realidade, em preocupações com peso, com rugas, pele, flacidez, celulite, estrias, cabelo (...). Mas que auto-estima é essa que precisa de uma série de de recursos para se manter? Que não permite que o envelhecimento natural aconteça, que não aceita a diversidade e a naturalidade? Que através dos seus ícones de estética hegemônicos, nos apresenta dois modelos de mulheres que devemos nos aproximar, ou das magérrimas atrizes e modelos (cada dia mais magras, por sinal) ou das "gostosas" malhadas e turbinadas por um incontável número de plásticas? (...).

Resgatar o feminino, no melhor sentido da palavra, está longe de escravizar-se.

É conhecer o próprio corpo verdadeiramente e dar a ele o alimento e o cuidado para a saúde física, mental, emocional , sexual e espiritual. É entender o sentido de sagrado que habita em nosso corpo e espírito  e  que amplia nosso senso de amor e de aceitação de nossas características étnicas e etárias. Que cuida das dores e doenças do corpo, instaladas primeiramente na alma. É fortalecer nossa auto-estima na resolução destes dilemas, partindo do pressuposto de que isso não é um problema apenas pessoal, mas uma realidade social a ser transformada. É resgatar sim, os valores culturais ancestrais,  e aqueles passados de mãe para filha, que levem a um maior entendimento e sabedoria nas experiências trocadas em histórias de superação e crescimento. É compreender que entre estes valores está a cultura do cuidado, do amor, do compartilhar e ensinar isso as filhas e filhos, incorporando-os na educação , de forma a construir os novos valores  que servirão de âncora para as próximas décadas.

Para nós, um desafio transpessoal, ainda que os frutos sejam vividos em nossa experiência particular, criar e fortalecer uma nova cultura, torna-la cada dia mais crescente e disseminada entre as mulheres, e ensinada aos homens. Valorizar os homens que estão receptivos e abertos a estas mudanças. Enxergar-se como agente de transformação deste mundo.

Aí sim, pode-se falar de uma era pós-feminista, com tudo que esta mudança de paradigmas pode possibilitar - a não violência, o respeito a diversidade, a mudança na relação com a terra e seus os recursos, (...).


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O poder da Deusa consagrando o cotidiano
por Mirella Faur


"O ressurgimento do Sagrado Feminino nos traz uma nova visão espiritual. A espiritualidade centrada no culto à Deusa implica no respeito à natureza e à vida em todos as suas manifestações, no cultivo da compaixão e aceitação nossa e dos outros, no reconhecimento da intuição e sabedoria existentes – mesmo que latentes – em todos nós, na celebração alegra da unidade com toda a criação.
Para sentir o poder da Deusa, comece a perceber o sagrado em tudo que a cerca, em cada dia, em cada lugar. Talvez precise de algum tempo para notar e experimentar conscientemente momentos, vivências, encontros, que antes passavam de forma fugaz sem que você percebesse o seu valor. Adquirindo uma nova consciência a sua vida torna-se mais rica, um acontecimento ou encontro não mais é algo fortuito, as “coincidências” passam a ser facetas da sincronicidade cósmica.
A mulher tem um enorme poder dentro de si. Não é o poder sobre alguém ou contra alguém, é o seu poder inato e ancestral, a sua intuição, percepção, compreensão, compaixão, criatividade, amor e conexão – consigo mesma, com os outros, com o Divino.
Nas antigas tradições e culturas o poder criativo e renovador da Deusa eram o símbolo da própria vida, a Terra e a mulher eram consideradas sagradas sendo suas representações. Nos cultos e mistérios femininos honravam-se os ciclos eternos que marcavam a vida do renascimento à morte, e desta para um novo início através do renascimento. Vida e morte eram interligadas de forma misteriosa e divina, competindo às mulheres as tarefas de recepcionar e cuidar da vida (como parteiras, mães, curandeiras), assistir e auxiliar as transições (como xamãs e sacerdotisas) e servir como intermediarias entre o humano e o divino (profetisas, oráculos).
O poder da Deusa possibilita a expansão do potencial emocional, mental, criativo e espiritual inatos em cada mulher. O poder da mulher está na sua sabedoria, a compreensão intuitiva, imparcial e sábia dos processos e das surpresas da vida. Nem toda mulher pode ser jovem, bonita, culta, rica, mas todas as mulheres podem se tornar sábias, permanecendo serenas no meio do tumulto.
As mulheres que almejam o poder da Deusa cultivam uma forma diferente de espiritualidade, buscando expandir sua consciência, honrando a vida em tudo ao seu redor e transformando o mundano em sagrado. A chave para a transformação espiritual é o enriquecimento e o aprofundamento de sua vida interior, podendo assim acessar e confiar no seu Eu Superior.
Para nutrir e embelezar nossas vidas podemos usar inúmeros recursos, simples ou elaborados, como alguns dos seguintes:


1. Crie um espaço sagrado no seu lar, não somente através de um altar, mas usando sua inspiração, imaginação e amorosidade para que todos se sintam bem, protegidos, nutridos e amados;


2. Crie momentos sagrados – para si mesma ou compartilhando-os com amigos e familiares – caminhando na natureza, ouvindo música suave, jantando a luz de velas, lendo textos que nutram a alma, enriqueça a sua mente e elevem o espírito;

3. Entre em comunhão com a natureza, honrando a Deusa em todos os seus aspectos e manifestações. Não basta encher sua casa de plantas se você não entrar em contato real e profundo com a terra, a chuva, o vento, as nuvens, o Sol, a Lua, os animais – seus irmãos de criação;

4. Respire e consagre seu corpo como a morada da sua alma durante esta encarnação. Procure viver de forma saudável, fazendo suas opções com consciência, sem se agredir e sem culpar – a si ou aos outros – pelos seus problemas ou compulsões. Coma bem para viver melhor. Observe suas fugas e compensações, cuide da sua “criança” carente ou ferida ajudando-a a crescer, curando-a com amor e dando-lhe os meios adequados para se tornar forte e auto-suficiente;


5. Manifeste sua criatividade – escreva, borde, pinte, desenhe, faça colagens, modele argila, cante, recite, dance, aprenda algo novo, componha um poema ou canção, faça pão, comece um diário de sonhos. A mulher que não dá vazão construtiva à sua imensa capacidade criativa pode torná-la em energia destrutiva – contra si ou contra os outros;

6. Coloque em prática os ensinamentos espirituais. Não se contente em ler inúmeros livros ou participar de cursos e workshops se você não pratica aquilo que aprendeu. Para mudar, precisa viver de forma consciente, reconhecer e transmutar seus pensamentos negativos e ser sincera nas avaliações – suas e dos outros. Todas as experiências dolorosas da vida são aprendizados cujas lições podem contribuir para sua transformação. Algumas mensagens levam momentos para serem assimilados, outras, meses ou anos. Quando começar a compreender o significado dos acontecimentos da sua vida, você começou a crescer de fato e assim poderá abrir novas portas na sua vida, se usar a chave certa;

7. Encontre o equilíbrio entre o falar e o silenciar, se movimentar ou se aquietar. Procure se relacionar com pessoas que compartilham das mesmas buscas e que têm o mesmo nível vibratório. Participe de círculos de mulheres em que possa encontrar apoio para a sua jornada espiritual, em que possa confiar para expressar suas dores ou suas conquistas. Celebre a Deusa sozinha ou em grupo, encontrando assim a verdadeira fonte de seu poder, da sua cura e transformação. Cultive a Deusa dentro de você reconhecendo a sacralidade do seu corpo, da sua mente, das suas emoções, da sua vida. E ao reconhecer a Deusa dentro de si, você se tornará uma com Ela."

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“As mulheres honram o seu Caminho Sagrado quando se dão conta do conhecimento intuitivo inerente à sua natureza receptiva. As mulheres precisam aprender a amar, compreender, e, desta forma, curar umas às outras. Cada uma delas pode penetrar no silêncio do próprio coração para que lhe seja revelada a beleza do recolhimento e da receptividade". 


Jamie Sams
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Movimento de espiritualidade feminina: 

Mulheres de pulsar de coração livre e ventre em celebração,

Cá estamos com novas possibilidades nessa 1ª Lua Nova de 2010. Um ano que será marcado pela BELEZA de mulher. E estamos aqui porque precisamos, e juntas CO-CRIAREMOS um lindo campo de possibilidade de AMOR, PAZ DIGNIDADE, CONFIANÇA...PUREZA, INTEIREZA..COMPREENSÃO..VERDADE, CURA...e tudo aquilo que somos capazes de sentir. Desejamos a
tod@s aqueles que circulam conosco na vida, um maravilhoso recomeçar. Com mais consciencia e clareza do AGORA.

BEM-VIND@S ao novo AGORA!

Simultaneamente, mulheres de diversos estados brasileiros reunem-se em círculos de iguais e ecumênicos sempre ao 1o dia de Lua Nova para celebrar , fortalecer, expressar plenamente suas formas, curar seus ciclos hormonais e regular sua menstruação/fertilidade.

O Círculo Sagrado de Visões Femininas é uma experiência de resgate simbólico da energia ancestral coletiva feminina onde mulheres em meio à agitação das cidades, guiadas por suas próprias crenças, perpetuam sua linhagem feminina por meio da sacralidade de seus corpos.






::RIO DE JANEIRO/ RJ – Marcela Zaroni::


Fone: Casa: (21) 33923502//Cel: (21) 85301340
Email: shaktilalla@hotmail.com

Contribuição: R$ 10,00  e algum alimento para compartilhar


“Reunimos-nos na LUA NOVA. Na Lua dos términos definitivos. Na Lua dos recomeços inspiradores. Por quê sacralizamos nossos corpos. Por quê realmente nos entregamos ao aperfeiçoamento espiritual. Por quê somos mestras de nós mesmas e honramos a energia que se expande espiralada em forma de cura.”

 

Nosso momento é agora, junte-se a nós nessa RED-Revolução! Está Feito! 
Com amor Sabrina Alves




::Raiz do “Círculo Sagrado de Visões Femininas”::

SÃO PAULO/SP – Sabrina Alves

Endereço: Rua Natingui, 380 - Vila Madalena

(à pé, ao lado do metrô, desça pela rua Marinho Falcão)

Fone: (11)9614-2858

Contribuição: R$ 10,00

Tragam frutas p/ compartilhar!



Honrarias e bênçãos às novas mulheres guardiãs que chegaram na1a Lua Nova no Solstício de Verão:



::CURITIBA/ PR – Karenn Missa Fujimatsu (Mirpa Nhusta Manta)::

Local:, Rua Machado de Assis, 322, Juvevê (esquina com Rocha Pombo). Casinha do Ser - Espaço Terapêutico

Contribuição: R$ 10,00 + frutas ou outras gostosuras naturais +sucos + objeto sagrado e de poder para

Email: nnerak@hotmail.com

Fone de contato: (41) 9992-5250



::JUIZ DE FORA/ MG - Júlia Marina (Ma’Lika)::

Local: Rua São Mateus, 890 - Juiz de Fora (Espaço Kaula Yoga)

Telefone: (32) 8454-2337

Contribuição: R$ 10,00

O que pedir para as mulheres levarem: Frutas

Email: malika_yoga@hotmail.com



::SANTOS/ SP- Bárbara Guerreiro::

Local: Rua Pereira Barreto nº10 altos - Gonzaga - Santos (Espaço Esotérico A Sacerdotisa)

Contribuição. R$ 6,00 + Frutas e sucos

Email: babiguerreiro@hotmail.com

Fone de contato: (13) 9142.1085



::UBERLANDIA/MG - Ana Carolina Gusmão Magri::

Local: Rua Ituiutaba, 286, Uberlândia MG (Espaço Sevee)

Contribuição: R$ 10,00 + frutas para compartilhar



Estas são as guardiãs autorizadas que ingressaram na 1ª Lua Nova de Primavera.



::ESTEIO/RIO GRANDE DO SUL – Ana Paula::

LOCAL: CICC PAZ

Rua São Jerônimo, 76 – centro – Esteio/RS

Contato: (51) 98210643

Contribuição: R$ 10,00 e lanchinho para compartilhar (vegetariano)

Email: ciccpaz@gmail.com



::SALVADOR/ BA – Jeruza Rosário::

Endereço: Av. Sete de Setembro, 761, ap. 702, Ed. Avenida, Rosário, Centro.

FONE: (71) 3329-4998/ 8765-2723.

Email: jeruzarosario@hotmail.com

*Demais infos pelo telefone



::RIO DE JANEIRO/ RJ – Marcela Zaroni::

Endereço: Será informado por telefone

Fone: Casa: (21) 33923502//Cel: (21) 85301340
Email: shaktilalla@hotmail.com

Contribuição: R$ 10,00  e algum alimento para compartilhar


::VILA VELHA/ ES – Iony Ming::

Endereço: Rua Candeias 159, Barcelona - Serra

Fone: (27) 9926-2668 ou 9723-4480

Email: angelis_dos_anjos@hotmail.com

*Demais infos por telefone.



::BELO HORIZONTE/ MG – Aryane Moreira::

Endereço: informação somente por telefone

Fone: (31)3471-1465

Email: afiandeira@hotmail.com

*Demais infos por telefone.




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"A imperial Maheshwari está situada na amplidão acima da mente e da vontade pensantes, sublimando-as e engrandencendo-as com sabedoria e vastidão ou inundando-as com um explendor além delas. Pos ela é una e poderosa e a sábia que nos abre as infinitudes supramentais e à vastidão cósmica, ã grandeza da luz suprema, a casa de tesouro do conhecimento milagroso, ao moviento incomensurável das forças eternas da Mãe."

Mirra Alfassa, Yoga Integral de Sri Aurobindo
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"As ervas guardam segredos de uma missão misteriosa, de coisas primitivas que não podem ser esquecidas. O solo lhes pertence desde as origens. Elas representam, em suma, um sorriso essencial, uma idéia fixa, um desejo obstinado da Terra. Por isso, faz bem questioná-las. Sem dúvida, elas têm algo a nos dizer."


Maurice Maeterlinck (1862-1949) em "As flores do campo".
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