.:: Êxtase da Deusa ::.

Memorial

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Pela falta de tempo de publicar textos com autoria própria, resolvi compartilhar uma ótima reportagem coletada na internet que resume a wicca de forma lúcida e cuidadosa.

"Para as bruxas, Deus é mulher. As novas bruxas são feministas, femininas e ecológicas. Acreditam na força da magia e na divindade mais velha do mundo, a Deusa. Senhora da lua, ela regula as marés, os partos, o cio e o humor instável das mulheres e apresenta-se em três aspectos principais: a virgem, associada à lua crescente, aos impulsos e à alegria dos começos; a mãe, grande nutridora associada à plenitude feminina e à lua cheia; e a anciã, que simboliza a velha sábia, representada pela lua minguante. Mas a deusa também é associada à Terra, mãe dos bichos, dos homens e das colheitas —ou dos terremotos e das tempestades devastadoras. A deusa personifica o feminino sagrado, o princípio criativo que ama e conecta tudo, incluindo o bem e o mal.
As bruxas não acreditam em diabo —uma invenção cristã, segundo elas. Nem fazem rituais satânicos. Para o bruxo Claudiney Prieto, “não existe magia do bem e do mal. A magia é uma só. O que define resultados negativos ou positivos é a ação do bruxo. O mesmo remédio pode curar ou matar, dependendo da intenção com que é manipulado”, explica Prieto, primeiro brasileiro a lançar um livro sobre o tema, autor de “Wicca, a Religião da Deusa” (editora Gaia). Segundo ele, o que vale para os bruxos é o princípio da polaridade: “O bem e o mal estão dentro de nós, não fora. Todos os seres contêm o negativo e o positivo, o feminino e o masculino”, conclui.
Para ingressar na religião, as bruxas wicca fazem um juramento e têm que se sujeitar às leis da feitiçaria. O dogma principal reza: “Faça o que quiser, desde que não faça mal a ninguém”. Quem desobedece pode ser expulso do grupo. Outro regulador natural é a “lei tríplice”, que garante que “tudo o que uma pessoa faz de bom ou mal volta para ela triplicado”.
O movimento wicca, que congrega as feiticeiras modernas no mundo todo, é na verdade um resgate da bruxaria, uma das mais antigas religiões do Ocidente. A deusa que as bruxas cultuam também é conhecida como a Grande Mãe, a mais velha de todas as divindades (cultuada desde o período paleolítico, 25 mil a.C.), e se manifestou em várias civilizações, com formas e nomes diferentes —como Ishtar, Ísis ou Ártemis — antes que o poder feminino fosse soterrado pelo patriarcado e que as bruxas fossem condenadas à fogueira.
Segundo os estudiosos, o arquétipo da deusa é a fonte original de todas as divindades, incluindo Nossa Senhora (freqüentemente representada num pedestal com a lua crescente). Mas para a deusa pagã (não-cristã), a sexualidade é reverenciada como um poder criador, desvinculado da noção de pecado. Seu parceiro, o deus Cornífero, é símbolo da natureza intocada e dos animais selvagens. Representa a fertilidade e o vigor sexual.
A bruxaria moderna é baseada na mitologia celta (povo que vivia em 700 a.C. onde hoje é a Escócia, Irlanda e norte da Inglaterra) mas utiliza elementos de várias civilizações primitivas e muitas vezes recorre às teorias do psiquiatra Carl Jung, que utilizou a mitologia para explicar a psique humana.
Uma das maiores habilidades da bruxa é saber direcionar a energia inesgotável da natureza a seu favor —como indica a origem da palavra wicca, do inglês arcaico wicce, que significa girar, dobrar, moldar. Os feitiços não utilizam sangue ou animais, mas símbolos mágicos e invocações aos deuses da natureza. Com esse caráter libertário, a bruxaria seduziu as feministas americanas nos anos 70.
Foram elas que deram o maior impulso ao movimento depois de a religião ter sido resgatada da clandestinidade pelo bruxo inglês Gerald Gardner, que ousou publicar um livro em 1949, dois anos antes de cair a última lei contra a bruxaria na Inglaterra. No Brasil, as bruxas —identificadas pelos seus colares e amuletos com uma estrela de cinco pontas— estão sobretudo no Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília. Elas se reúnem nos chamados covens, grupos organizados que ensinam e praticam a Arte, um dos muitos nomes da bruxaria, também chamada de Antiga Religião ou Religião da Deusa.
Crenças fundamentais das bruxas
Princípio de imanência
Tudo é sagrado, tudo está ligado. O que afeta um afeta todos.
Magia transformadora
Rituais e encantamentos evocam o mundo sagrado, desenvolvem o poder pessoal e transformam a vida de acordo com o nosso desejo.
Liberdade responsável
Faça o que quiser, desde que não faça mal a ninguém.
Lei tríplice
Tudo aquilo que é feito, para o bem ou para o mal, retorna triplicado.
Reencarnação
As bruxas acreditam que o corpo morre, mas o espírito não.
Lei da polaridade
Tudo contém o seu oposto. Todas as pessoas têm aspectos femininos e masculinos. Estados de ânimo e estados mentais negativos podem ser transformados em positivos.
Alegria e sexualidade
A celebração da vida é a base da bruxaria. A sexualidade é uma manifestação do poder criador, desvinculada de qualquer noção de culpa ou pecado.
Fontes: “Wicca - A Religião da Deusa”, de Claudiney Prieto (Editora Gaia) e “O Poder da Bruxa”, de Laurie Cabot e Tom Cowan (Editora Campus)
Celebrações
Celebram sempre os ciclos da natureza e estão associadas às colheitas, estações, morte e renascimento. As datas são diferentes no hemisfério norte e no hemisfério sul.
Samhain (01/05 no hemisfério sul)
É o Ano Novo das Bruxas.
Yule (21/06 no hemisfério sul)
Representa a esperança de luz nesta que é a noite mais longa e fria do ano.
Imbolc (01/08 no hemisfério sul)
O poder divino é sentido no calor dos dias cada vez mais longos.
Ostara (22/09 no hemisfério sul)
Corresponde à Páscoa. É tempo de celebrar a fertilidade da terra, que se apronta para o plantio.
Beltane (31/10 no hemisfério sul)
Época propícia para casamentos e para a celebração da vida. São ritos de amor e fertilidade para os casais.
Litha (21/12 no hemisfério sul)
Celebração da Mãe Terra. A natureza encontra-se no apogeu da fertilidade.
Lammas (02/02 no hemisfério sul)
Época das primeiras colheitas. Tempo de festejar a abundância.
Mabon (21/03 no hemisfério sul)
Momento de semear. Tempo de equilíbrio, balanço e interiorização.
O altar da bruxa
Toda bruxa tem seu altar particular, com instrumentos mágicos. Os elementos básicos são sempre os mesmos. Mas cada bruxa também pode acrescentar objetos associados a sua história pessoal ou ao feitiço que deseja realizar.
Pentagrama
A estrela de cinco pontas é o símbolo da bruxa.
Os quatro elementos
Terra, areia, sal e cristais representam a terra; a água pode ser colocada num cálice; o incenso simboliza o ar; uma vela ou uma lamparina remetem ao fogo.
Bastão
Também pode ser uma espada. Serve para traçar o círculo mágico e impede a aproximação de energias indesejáveis.
Corda ou fita
Cada nó dado na corda representa um pedido ou intenção.
Athame
Punhal com lâmina dupla, é um símbolo fálico que representa o poder masculino. Também é usado para traçar o círculo mágico.
Duas velas
Uma para a Deusa, a outra para o Deus.
Caldeirão
Representação do útero feminino, serve também para queimar incenso e fazer poções com ervas."

Por Déborah de Paula Souza e Valéria Martins

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