.:: Êxtase da Deusa ::.

Memorial

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T.M.P. Mahadevan, Outlines of Hinduism, p.203 - 206.


"De todos os cultos tântricos, a tradição dos Shâkta é a que mais tem sofrido críticas, em razão de um entendimento e práticas errôneos. Muitos vêem neles somente 'lascívia, mistério e magia negra, superstições tolas e vulgares'. Mas estudando-se mais profundamente os Shâkta Tantras com o propósito de entendê-los, encontra-se muito sentido nos princípios neles ensinados.

Filosoficamente, o Shâkta-darshana (filosofia, ponto de vista) é um tipo de não-dualismo. A realidade, de acordo com ele, é não-dual (advaita); é da natureza da Existência-Consciência-Beatitude (saccidânanda). É nirguna, isto é sem atributos, no sentido que não há distinções nela. Nada é real além dela. Todas as coisas são idênticas a ela. A realidade não-dual manifesta-se como o mundo de pluralidade através do poder de mâyâ. Até este ponto, o Advaita do Shaktismo está em acordo com o de Shankara (Vedanta clássico). Mas, enquanto para Shankara mâyâ é o princípio de ilusão que vela o verdadeiro Brahman (Ser Universal) e projeta-se no mundo irreal, para o Shaktismo, mâyâ é um poder real, manifestando-se na forma do universo diversificado. A esse respeito,o ensinamento dos Shâkta é idêntico ao do Shivaísmo de Kâshmira. Ambos consideram a realidade última como sendo Shiva-Shakti, Consciência-Poder. Shiva é o princípio estático da consciência enquanto Shakti é o princípio cinético. Os Shâkta Tantras representam esta verdade pelo célebre provérbio, 'Shiva sem Shakti é shava (cadáver)' e pela figura de cinco cadáveres de Shiva sustentando o trono da Mãe do Mundo, nas deslumbrantes florestas da Ilha das Pedras Preciosas (Manidvîpa), cujas areias douradas são banhadas pelo Oceano da Imortalidade (amrta).

Enquanto Shiva é a fundação básica da criação, Shakti é seu princípio dinâmico, móvel. Há dois aspectos de Shakti, vidyâ ou chit-shakti e avidyâ ou mâyâ-shakti. Chit-shakti é da natureza da Iluminação e Consciência (prakâsha). Mâyâ-shakti é a mesma consciência que oculta a si mesma e projeta-se no mundo. É a potência do vir-a-ser, a semente da evolução (vimarsha). Através de mâyâ, o Um torna-se Muitos, o Infinito torna-se finito, o Supremo Espírito torna-se o mundo de Mente, Vida e Matéria. A evolução não afeta, realmente, a natureza de Shiva, que não é somente da forma do universo (vishvamaya) mas está além dele (vishvottîrna).

Em um mundo dominado por conceitos masculinos e com tendências profanas, a ênfase da filosofia Shâkta na maternidade de Deus é fascinante. É necessário ressaltar, no entanto, que Shakti é mulher somente figurativamente e simbólicamente. Shakti é Deus como o princípio de produtividade; e o Shâkta dá a Ele a forma feminina para propósitos de culto. Na verdade, segundo sua filosofia, a realidade última nem é masculina nem feminina. Um hino dedicado a Shakti o Mahâkâla-samhitâ diz:

'Tu não és nem menina nem donzela nem velha. Na verdade, tu não és nem feminino nem masculino nem neutro. Tu és inconcebível, poder imensurável, o Ser de tudo que existe, livre de toda dualidade, o supremo Brahman, acessível somente pela Iluminação'."

Fonte: http://www.geocities.com/livrosagrados/

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