.:: Êxtase da Deusa ::.

Memorial

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A adoração de Çakti

Mahānirvanatantra , Caturthollase
Cap.4


"Tendo ouvido com atenção à aquilo que foi dito a respeito da adoração do Supremo Brahman, a Suprema Senhora grandemente satisfeita novamente questionou Çankara (1 ).

Çri Devī disse : ó Senhor do universo e Meu Senhor ! estou banhada em contentamento no néctar de Tuas palavras à respeito da excelente adoração de Brahman , a qual leva ao bem estar do mundo e à Brahman , e garante brilho , inteligência , força , prosperidade e felicidade ( 2-3 ) .

Tu disseste , Ò oceano de misericórdia ! que da mesma forma que a união com Brahman pode ser alcançada através da adoração à Ele , ela pode ser alcançada através desta Minha sädhana ( 4 ) .

Eu desejo saber , Ó Senhor ! sobre esta excelente adoração à Mim , a qual , como Tu disseste, é a causa da união do devoto com Brahman ( 5 ) .

Quais são seus ritos , e através de quais meios ela pode ser realizada ? Qual é o seu mantra e qual a forma de sua meditação e o modo de realizar a püjä ? ( 6 ) .

Ó Çambhu ! quem além de Ti , Senhor entre os médicos dos males mundanos , está apto à falar sobre esta sädhana ? , do começo ao fim , e em todos os seus detalhes , pois que é agradável à Mim e benéfica à toda humanidade ( 7 ) .

Ouvindo as palavras de Devī , o Deva dos Devas , Esposo de Pärvatī , deliciou-se , e falou à Ela desta forma :(8) .

Çré Sadäçiva disse : Ouça , Ó Tu de grande fortuna e destino , os motivos pelos quais Tu deverias ser adorada , e de que forma , através disto, o indivíduo une-se à Brahman ( 9 ) .

Tu és a própria Suprema Prakåti de Brahman , o Paramätmä , e de Ti emergiu todo o universo – Ó Çive – do qual Tu és a Mãe ( 10 ) .

Ò Graciosa ! tudo o que existe neste mundo , as coisas que possuem e as que não possuem movimento , desde Mahat até as partículas infinitamente pequenas , devem sua origem e são dependentes de Ti ( 11 ) .

Tu és a origem de todas as manifestações , Tu és o local até mesmo de Nossa natividade , Tu conheces todo o mundo , entretanto ninguém conhece à Ti ( 12 ) .

Tu és Kälé , Täréné, Durgä , Çodashé , Bhuvaneçvaré, Dhümävaté. Tu és Bagalä , Bhairavé e Chinnamastä . Tu és Annapürnä , Vägdevé, Kamalälayä . Tu estás na forma de todas as Çaktis e Tu Permeias os corpos de todos os Devas ( 13 – 14 ) .

Tu és sutil assim como densa , manifesta e oculta . Apesar de , em Si Mesma, serdes amorfa , Tu possues forma . Quem pode compreendê-La ? ( 15 ) .

Pelo socorro ao devoto , pelo bem do mundo , e pela destruição dos Dänavas , Tu assumes várias formas ( 16 ) .

Tu és possuidora de quatro braços , ou dois braços , ou seis braços , ou oito braços e ostentas vários projéteis e armas para a proteção do universo ( 17 ) .

Em vários Tantras Eu falei sobre a sädhana de diferentes mantras e yantras , e assuntos correlatos , apropriados as respectivas diferentes formas assumidas por Ti , assim como aos três diferentes temperamentos dos homens ( 18 ) .

Neste kaliyuga não há pashubhäva , o divyabhäva tem dificuldades em realizar-se , porém as práticas relacionadas à vérasädhana garantem frutos visíveis ( 19 ) .

Neste kaliyuga , Ó Devé ! o sucesso só é alcançado através do Kuläcära , e portanto ele deve ser realizado com todo o cuidado ( 20 ) .

Através dele , Ó Devé ! Adquiri-se o conhecimento de Brahman , e o mortal que tenha alcançado-o está certamente, mesmo em vida , liberto dos futuros nascimentos e isento da realização de todos os rituais religiosos ( 21 ) .

De acordo com o conhecimento humano uma mesma coisa pode parecer pura ou impura , porém quando o conhecimento de Brahman tiver sido adquirido não há nada que possa ser puro ou impuro ( 22 ) .

Para àquele que sabe que Brahman está em todas as coisas e é eterno , o que pode existir de impuro ? ( 23 ) .

Tu estás em todas as formas e acima de todas . Tu és a Mãe de tudo . Se Tu estás satisfeita , Ó Rainha dos Devas ! então todos estão satisfeitos ( 24 ) .

Antes do começo das coisas Tu existias na forma de uma escuridão que estava além da fala e da mente , e a partir de Ti , através do desejo criativo do Supremo Brahman , todo o universo foi gerado ( 25 ) .

Este universo , desde Mahat até os elementos densos , foi criado por Ti , pois Brahman , causa de todas as causas , é apenas o pretexto ( 26 ) .

Ele é o puro Ser , Imutável , Onipresente , pura consciência desapegada , portanto existente em todas as coisas (27).

Ele não age , nem Ele desfruta . Ele não se move , tampouco é imóvel . Ele é o verdadeiro Ser e consciência , sem começo nem fim , inefável e incompreensível ( 28 ) .

Tu , a Suprema Yoginé, movida pelo mero desejo d’Ele , crias , proteges , e absorves este universo com tudo o que se move ou seja imóvel dentro dele ( 29 ) .

Mahäkäla o destruidor do universo , é Tua forma . Durante a dissolução das coisas , é Käla (o tempo) que devorará à todos , e por isto Ele é chamado Mahäkäla , e como Tu devoras o próprio Mahäkäla, Tu és a Suprema e Primordial Kälikä ( 30 – 31 ) .

Pois que Tu devoras Käla , Tu és Kälé ; pois que Tu és a origem e a devoradora de todas as coisas Tu és chamada Ädyä Kälé ( 32 ) .

Reassumindo após a dissolução Tua própria natureza , escura e amorfa, inefável e inconcebível , somente Tu permanece , sendo a Única ( 33 ) .

Apesar de possuíres uma forma , Tu és amorfa ; apesar de em Si Mesma não possuíres começo , através do poder de Mäyä , Tu és o começo de tudo , Criadora , Protetora e Destruidora (34 ) .

Sendo desta forma , Ó Meiga ! Eu lhe disse que qualquer fruto que seja alcançado pelo iniciado no Brahmamantra , o mesmo pode ser obtido pela sädhana à Ti ( 35 ) .

De acordo com as diferenças de local , tempo e capacidade dos devotos , Ó Devé ! Eu falei sobre as sädhanas adequadas aos seus modos de vida e aos temperamentos que os governam ( 36 ).

Onde os homens realizam a adoração para a qual são competentes , lá eles recebem os frutos da adoração , e sendo libertos do demérito eles cruzam o Oceano do Ser ( 37 ) .

Através do mérito adquirido em vários nascimentos anteriores a mente inclina-se à doutrina Kaula , e aquele cuja alma é purificada por esta adoração , torna-se o próprio Çiva ( 38 ) .

Aonde há abundância de gozo , qual a utilidade de falar-se em yoga ? e aonde há yoga não há gozo , porém o Kaula desfruta de ambos ( 39 ) .

Se alguém honra pelo menos uma pessoa versada no conhecimento da essência da doutrina Kaula , então todos os Devas e Devés estão adorados – não há dúvida sobre isto ( 40 ) .

O mérito ganho por honrar um Kaulika é dez milhões de vezes aquele adquirido por oferecer o mundo com todo o seu ouro ( 41 ) .

Um candäla versado no conhecimento da doutrina Kaulika excede um Brähmana , e um brähmana carente deste conhecimento está abaixo até mesmo de um candäla ( 42 ) .

Eu não conheço dharma superior àquele dos Kaulas , aderindo-se à ele o homem atinge a experiência divina ( 43 ) .

Eu Lhe digo a verdade , Ó Devé ! receba-a em Seu coração e pondere sobre ela . Não há doutrina superior à doutrina Kaulika , a mais excelente de todas ( 44 ) .

Este é o caminho de maior excelência, mantido oculto devido à multidão de paçus , porém na medida que o Kaliyuga avança , este caminho será revelado ( 45 ) .

Em verdade Eu Lhe digo que quando o Kaliyuga atingir a totalidade de sua força não haverá paçus , e todos os homens sobre a Terra serão seguidores da doutrina Kaulika ( 46 ) .

Ó Possuidora de belos quadris ! saiba que quando as iniciações Vaidikas e Pauränikas cessarem o Kaliyuga tornou-se forte ( 47 ) .

Ó Çive ! Ó Pacífica ! quando a virtude e o vício não forem mais julgados pelas leis Vaidikas, então saiba que o Kaliyuga tornou-se forte ( 48 ) .

Ó Soberana Senhora da doutrina Kaula ! Quando a fonte paradisíaca estiver quebrada em alguns pontos , e em outros desviada de seu curso , então saiba que o Kaliyuga tornou-se forte( 49).

Ó Sábia ! Quando os reis da raça mleccha tornarem-se excessivamente mercenários , então saiba que o Kaliyuga tornou-se forte ( 50 ) .

Quando as mulheres tornarem-se difíceis de controlar , insensíveis e beligerantes , e depreciadoras de seus maridos , então saiba que o Kaliyuga tornou-se forte ( 51 ) .

Quando os homens tornarem-se subjugados às mulheres e escravos do desejo , opressores de seus amigos e gurus , então saiba que o Kaliyuga tornou-se forte ( 52 ) .

Quando a fertilidade da Terra se perder e as colheitas forem minguadas , quando as nuvens gerarem chuvas escassas e as árvores produzirem frutos mirrados , então saiba que o Kaliyuga tornou-se forte ( 53 ) .

Quando os irmãos , parentes e amigos movidos pelo desejo de coisas triviais , lutarem entre si , então saiba que o Kaliyuga tornou-se forte ( 54 ) .

Quando o consumo indiscriminado de carne e álcool não for sujeito à punição , apesar de beber secretamente ser ainda predominante , então saiba que o Kaliyuga tornou-se forte ( 55 ) .

Assim como no Satya , Tretä e Dväparayugas , vinho e os demais podiam ser abertamente consumidos , da mesma forma , eles podem ser consumidos no Kaliyuga de acordo com o dharma Kaulika ( 56 ) .

O Kaliyuga não pode ferir aqueles que estão purificados pela verdade , que conquistaram suas paixões e sentidos , que são sinceros em suas maneiras , sem falsidade , são compassivos e seguidores da doutrina Kaula ( 57 ) .

O Kaliyuga não pode ferir aqueles que são dedicados ao serviço de seu guru , aos pés de lótus de suas mães , e a suas próprias esposas ( 58 ) .

O Kaliyuga não pode ferir aqueles que são dedicados e alicerçados na verdade , adeptos do verdadeiro dharma e fiéis à realização dos rituais e deveres Kaulika ( 59 ) .

O Kaliyuga não pode ferir aqueles que oferecem à um verdadeiro Kaulika yogi os elementos de adoração , que foram previamente purificados pelos rituais Kaulika ( 60 ) .

O Kaliyuga não pode ferir aqueles que estão livres de malícia , inveja , hipocrisia e ódio , e são firmes na fé do Kaulika dharma ( 61 ) .

O Kaliyuga não pode ferir aqueles que se mantém na companhia de kaulikas , ou moram com devotos Kaulikas ou lhes servem ( 62 ) .

O Kaliyuga não pode ferir aqueles devotos Kaulika que , não importa o que pareçam externamente , porém permanecem firmes em sua fé ao Kuläcära , e adoram-Lhe de acordo com esta doutrina ( 63 ) .

O Kaliyuga não pode ferir aqueles que realizam seus banhos , caridades , votos , peregrinações , devoções e tarpaëa de acordo com as regras do Kuläcära ( 64 ) .

O Kaliyuga não pode ferir aqueles que realizam as dez cerimônias purificatórias , tais quais a benção do ventre ( garbhädäna ) , cerimônias aos antepassados ( shräddha ) e outros ritos de acordo com o ritual Kaulika ( 65 ) .

O Kaliyuga não pode ferir aqueles que respeitam o Kula-tattva , o Kuladrävya e o Kulayogi ( 66 ) .

O Kaliyuga é apenas o escravo daqueles que estão livres de toda falsidade , homens de boa vontade , devotados ao bem de seus próximos e que seguem as regras Kaulikas ( 67 ) .

Apesar de suas muitas imperfeições , o Kaliyuga possui um grande mérito , pois através da pura determinação de um devoto Kaulika , caso sincera , os resultados esperados são alcançados ( 68 ) .

Nas outras eras , Ó Devé ! o esforço voluntário produzia mérito e demérito , porém no Kaliyuga os homens adquirem somente mérito através de suas intenções , e não demérito ( 69 ) .

Os escravos do Kaliyuga , por outro lado , são aqueles que não conhecem o Kuläcära , que são sempre mentirosos, e que são perseguidores dos outros ( 70 ) .

Também são escravos do Kaliyuga aqueles que não tem fé no Kuläcära , que desejam as mulheres alheias , e oprimem os fiéis seguidores da doutrina Kaulika ( 71 ) .

Ao falar dos costumes das diferentes eras , Ó Gentil ! Ó Pärvaté ! Eu resumidamente recontei os sinais do domínio do Kaliyuga , de forma à satisfazê-La ( 72 ) .

Quando o Kaliyuga manifesta-se todo o dharma é exaurido e somente a verdade permanece , portanto o devoto deve ser verdadeiro ( 73 ) .

Ó Virtuosa ! tenha certeza disto , que o que quer que o homem faça com verdade gerará frutos ( 74 ) .

Não existe dharma mais elevado do que a verdade , não existe demérito maior do que a falsidade , portanto o homem deve buscar proteção sob a verdade com toda a sua alma ( 75 ) .

A adoração sem a verdade é inútil , da mesma forma o japa de mantras e a realização de austeridades . Estes casos são semelhantes ao homem que joga a semente sobre a terra salgada (76 ).

A verdade é a forma do Supremo Brahmam , a verdade é a mais excelente de todas as austeridades , todo o ato está alicerçado na verdade . Além da verdade não há nada mais excelente (77 ) .

Portanto foi dito por Mim que quando o vergonhoso Kaliyuga estiver dominante , o Kuläcära deve ser praticado sinceramente e sem segredos ( 78 ) .

A verdade é incompatível com o segredo . Não há segredo sem falsidade. Portanto o devoto Kaulika deve realizar sua sädhana abertamente ( 79 ) .

O que Eu disse em outros Kaulika Tantras sobre o segredo do Kaulika dharma não ser condenável , não é aplicável quando o Kaliyuga tornar-se forte ( 80 ) .

Na primeira era , o Satyayuga , Ó Devé ! o dharma possuía os quatro quartos de seu todo , no Tretäyuga ele perdeu um quarto , no Dväparayuga havia apenas dois quartos do dharma , e no Kaliyuga ele tem apenas um quarto (81) .

Apesar disto e das austeridades e caridades enfraquecerem-se , a verdade permanecerá forte . Para onde for este um quarto que é a verdade o dharma também irá , portanto a verdade deve ser o alicerce de todos os atos ( 82 ) .

Ó Soberana Senhora do Kauladharma ! Pois que os homens desta era somente têm refúgio no Kaulika dharma , como pode haver liberação se esta doutrina infectar-se com a falsidade ? (83).

Com sua alma completamente purificada pela verdade , o homem deve realizar todos os atos indicados pelo seu varëa e Äçrama , na maneira demonstrada por Mim ( 84 ) .

A iniciação , adoração ( püjä ) , recitação de mantras ( japa ) o oferecimento de oblações de ghee ao fogo ( homa ), consagração de mantras ( puraçcarana ) , as devoções ocasionais ( vrata) , casamento , cerimônia da concepção , e aquelas realizadas no quarto , sexto , ou oitavo mês de gravidez , o ritual de nascimento ( jätakarma ) , a nomeação ( nämakarana ) , o cüdäkarana , e os rituais fúnebres ; todas estas cerimônias devem ser realizadas na maneira aprovada pelos Ägamas ( 85 – 86 ) .

O ritual que Eu ordenei deve ser seguido também nos ritos fúnebres em locais sagrados , na dedicação de um touro , no festival de outono ( Durgä püjä ) , ao sair em peregrinação , ao entrar pela primeira vez em nova moradia ( gåhapravesh ) , a utilização de novas roupas ou jóias , a dedicação de poços , fontes ou lagos , nas cerimônias realizadas em dias lunares ( tithikarma ) , na construção e consagração de edifícios , na instalação de Deidades , e em todas as observâncias que devem ser realizadas durante o dia ou à noite em ocasiões especiais , em observâncias diárias ou ocasionais , assim como na decisão do que deve ou não ser feito e na determinação do que deve ser rejeitado ou adotado ( 89 – 90 ) .

Caso o ritual ordenado não seja seguido , seja por ignorância , irreverência , ou falta de fé , desqualifica-se para todas as observâncias , e torna-se semelhante à um verme no esterco ( 91 ) .

Ó Maheçi ! quando o Kaliyuga tornar-se muito poderoso qualquer ato realizado em violação aos Meus preceitos , o resultado exatamente o contrário do que foi desejado ( 92 ) .

A iniciação que Eu não aprovei destrói a vida do discípulo e os atos de adoração não aprovados são infrutíferos assim como oblações oferecidas às cinzas , e a Deidade que é adorada torna-se irada ou hostil , e à cada passo encontra-se perigo (93 ) .

Ambike ! Aquele que durante o domínio do Kaliyuga , conhecedor de Meus preceitos , mesmo assim realizar suas observâncias de outra forma é um degradado ( 94 ) .

O homem que realiza qualquer vrata ou casa-se seguindo outros ritos permanecerá em terrível tribulação enquanto o sol e a lua durarem ( 95 ) .

Ao realizar seu vrata ele incorre na vergonha de assassinar um brähmana , e assim como um menino investido com o cordão sagrado torna-se degradado . Ele apenas usa o cordão , porém é inferior à um candäla ( 96 ) .

Da mesma forma que a mulher que casa-se seguindo outros ritos é desprezada , Ó Soberana Senhora dos Kaulas ! o homem que assim casa-se é seu cúmplice no erro , e dia após dia é culpado da vergonha de deitar-se com uma prostituta (97) .

Partindo dele à Deidade nunca aceitará comida , água e outras oferendas , nem seus antepassados aceitarão suas oferendas , considerando-as apenas esterco e pus ( 98 ) .

Seus filhos são bastardos e desqualificados para toda observância e ritual religioso , ancestral e Kaulika ( 99 ) .

A Deidade nunca vem à uma imagem dedicada através de outros ritos se não aqueles prescritos por Çambhu . Não há benefícios neste ou em outros mundos . Há apenas desperdício de trabalho e dinheiro ( 100 ) .

Um ritual fúnebre realizado de acordo com outros ritos além daqueles prescritos pelos Ägamas é infrutífero , e aquele que o realiza enfrentará grande tribulação ( 101 ) .

A água oferecida por ele é como sangue , e os pindas (bolos fúnebres) como esterco . Que os mortais sigam com grande cuidado os preceitos de Çamkara ( 102 ) .

Qual a necessidade de falar mais ? Em verdade Eu Lhe digo , Ó Devé ! que tudo o que é feito em desrespeito aos preceitos de Çambhu é infrutífero ( 103 ) .

Para aquele que não segue Seus preceitos não há méritos futuros . Aquilo que já foi alcançado é destruído , e não há como escapar das tribulações ( 104 ) .

Ó Maheçäni ! A realização dos deveres diários e ocasionais na maneira descrita por Mim é o mesmo que adorar-Lhe ( 105 ) .

Ouça-Me Ó Devé ! sobre os detalhes da adoração com seus mantras e yantras , que são os remédios para os males do Kaliyuga ( 106 ) ."

Fonte e tradução (ing./port.):


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"Ó Divina Mãe, que toda a minha fala e as minhas palavras vazias sejam Mantra, Que toda ação de minhas mãos seja mudra, Que tudo o que eu comer e beber seja uma oferenda a Ti, Toda a vez que me deitar, que seja uma reverência diante de Ti, Que todos os meus prazeres sejam minha total dedicação a Ti, Que tudo o que eu faça sirva de adoração a Ti."

Swami Sivananda Radha (Discípula de Swami Sivananda) em "Mantras - Palavras de Poder"
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"(...) Na Índia, em geral, as jovens Shaktis dravidianas são iniciadas muito cedo nas técnicas do Sahajolî, antes mesmo da puberdade. Habitualmente é a mãe que ensina para as filhas. Na falta dela, será o guru tântrico. Certamente quanto mais precoce for a iniciação, mais fortes os músculos se tornarão e mais total será o seu controle.

Sahajolî também faz parte da educação secreta das devadâsis, as bailadeiras sagradas dos templos hindus, assim como das hetairas gregas(...).

"Tantra, o culto da feminilidade", André Van Lysebeth, Ed.Summus


Sahajolî, em sânscrito, é uma palavra derivada da raiz sahaj, esponâneo, e oli, "voar acima de", "moldar acima"; mais conhecido no ocidente como pompoarismo, é uma técnica que envolve o controle dos músculos da Yoni/Útero, assim como a consciência e domínio dos elementos sutis desta prática.

Enquanto pompoar, esta técnica têm sido divulgada apenas em seu aspecto fisiológico/físico, porém, dentro da tradição tântrica este mudrá associado ao Mula Bandha e ao Uddiyana Bandha, tem um significado especial, atuando no controle/manipulação do prana pelos nadis (ida, pingala, sushumna...), facilitando o processo de elevação da kundaliní-Shaktí através dos centros energéticos (chakras).

André Van Lysebeth, em "Tantra, o culto da feminilidade", sugere alguns exercícios para o fortalecimento da musculatura vaginal, sem no entanto se aprofundar nos aspectos mais sutis desta prática. Da mesma maneira, uma série de apostilas e livros sobre pompoarismo são facilmente encontrados em livrarias virtuais e em versões e-books. Tal abordagem proporciona a mulher mais prazer e saúde, mas oculta os elementos mais preciosos desta prática.

Estão disponibilizados na internet duas referências de estudo em português.

Uma sobre a técnica do pompoarismo e sua correlação com a prática tântrica, descrita pela terapeuta corporal Regina Racco, em "Pompoar, a arte de amar" *.

A outra, muito mais complexa e hermética, descreve os 10 gestos de poder (mudrás) - dentre eles o vajholi/sahajoli - , ensinados por Shiva, que se praticados com empenho despertam a energia adormecida da Kundaliní-Shaktí . Tal texto pode ser acessado na íntegra site Yoga.pro.br, no link apontado abaixo, porém, segue-se um trecho para apreciação:

Hatha Yoga Pradípiká, capítulo III *
Yogi Svatmarama
Fonte: Yoga.pro.br

"Vajrolí para a yoginí.

III:98.
Misturam-se cinzas com bindu após a prática de vajrolí e se esfregam com esta mistura as partes nobres do corpo, obtendo-se assim a visão divina.

III:99.
Se uma mulher praticar o suficiente como para tornar-se uma experta, se for capaz de absorver o bindu (ejaculado em seu interior) por um homem e o retiver dentro por meio de vajrolí, transformar-se-á em uma yoginí.

III:100.
(Assim) sem dúvida, não se perde nem a mais mínima quantidade de fluxo vital feminino. No corpo (da yoginí) o náda transforma-se em bindu.

III:101.
Se o sêmen (bindu) e o fluido feminino (rájas) permanecerem unidos no interior do corpo mediante vajrolí, consegue-se todo tipo de siddhi.

III:102.
A yoginí que preserva seu rájas mediante uma contração ascendente pode conhecer o passado e o futuro, e alcançar a perfeição em khecharí.


Conclusão.
III:103.
Mediante a prática do Yoga de vajrolí, obtém-se a perfeição do corpo (beleza, graça e força); este tipo de Yoga proporciona mérito (púnya) e, embora coexiste com a experiência sensual, conduz à libertação (moksha). "

* Acesse os links clicando sobre os títulos das obras.
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Yoni Tantra

O Yoni Tantra é um texto sagrado de Bengal, do primeiro século, contendo principalmente a descrição do Yoni Puja, com os segredos deste ritual, dedicado a criar e a consumir o Yonitattva (líquido sagrado). De acordo com esta escritura o Maithuna (a união sexual) é uma das partes do rito kaula tântrico, onde a Yoni é o centro de adoração.

Sendo um texto oculto, sua interpretação e uso, exigem do sadhaka a iniciação nos mantras secretos de Shakti e a orientação de um verdadeiro Guru.

Constantemente têm-se feito uso errado deste ritual, principalmente por parte do aspirante ocidental, que associa o sexo causal a prática espiritual, e a usa como artifícios para se obter privilégios e experiências sob o pretexto do Tantra.

Embora parte do texto esteja disponibilizado neste site, sugiro que o estudante leia primeiramente os textos anteriores apresentados, para que compreenda minimamente os conceitos de Shakti/Devi -Yoni e Shiva/Lingam, no entanto, afirmo que isto não garantirá resultados para a prática.

Segue-se o texto para a apreciação dos devotos e estudantes:

- YONI TANTRA -

Parte 1

Assentado no pico do Monte Kailasa, o deus dos deuses, o guru de todas as criaturas, foi assim questionado por Naganadini, a deusa de face sorridente:

“Senhor, foram criados 64 tantras. Diga-me, Oceano de Compaixão, qual o principal deles.”


MAHÓDEVA disse:

"Ouça, querida PARVATÍ, este grande segredo.

Você já me pediu para ouvir isso dez milhões de vezes. Ó Bela, é por causa de sua natureza feminina que você continuamente me pergunta isso. Você deve ocultar isso fortemente. PARVATÍ, existem os lugares sagrados [PÁTHA] do MANTRA, do YANTRA e do YONI. Dentre esses, o principal é certamente o YONI PITHA, que é revelado a você por meu afeto. Ouça cuidadosamente, Naganandini. Hari, Hara e Brahma se originaram do YONI. Uma pessoa não deve cultuar o YONI se ela não tem o mantra da SAKTI. Esta iniciação e este mantra libertam do inferno.

Eu sou Mrtyunjaya, aquele que ama o seu YONI. Surasundari, eu sempre cultuo DURGA no lótus de meu coração. Isso liberta a mente de distinções como as de DIVYA e VIRA. Ó senhora deusa! Cultuando desse modo, a libertação é colocada ao alcance da pessoa. Aquele que cultua o YONI deve preparar o mantra de SAKTI. Ele obtém sabedoria, riqueza, poesia e onisciência. Ele se torna o Brahma de quatro faces durante cem milhões de eras. Para que serve falar? Falar sobre isso não serve para nada. Se uma pessoa cultua com as flores menstruais, ele também adquire poder sobre o destino. Fazendo muitos rituais [PÚJÁ] desse modo, ele pode se libertar. O devoto deve colocar uma SAKTI dentro do círculo [MAÔflALA]. Ela deve ser encantadora, bela, desprovida de vergonha e nojo, encantadora por natureza, supremamente bela e charmosa. Depois de lhe dar a vitória [VIJAYA], o devoto deve cultuá-la com devoção suprema. Ele deve colocá-la à sua esquerda, e deve cultuar seu YONI adornado com cabelos. Nas bordas do YONI, o devoto deve colocar sândalo e belas flores. Lá, introjetando a deusa, ele deve fazer JIVA NYÓSA usando mantra, dando-lhe vinho e desenhando uma meia-lua com vermelhão. Depois de untar sua testa com sândalo, o devoto deve acariciar seus seios. Depois de recitar o mantra 108 vezes, enquanto ela está em seus braços, o devoto deve acariciar seus seios, depois de beijar o seu queixo. O mantra deve ser recitado 108 ou 1008 vezes no círculo do YONI. Depois de recitar o mantra poderoso, ele deve recitar muito devotamente o hino. No momento do culto, o GURU não deve estar presente. Eu [SÍVA] sou aquele que cultua. Se o GURU estiver presente, não haverá resultado, não há dúvidas sobre isso. O devoto, usando grande esforço, deve transferir os resultados do ritual para o GURU. Depois de fazer três oferecimentos com as mãos cheias de flores, ele deve se prostrar novamente para seu GURU. O sábio deve, sempre, oferecer a seu GURU, colocando as mãos juntas, em sinal de obediência. Depois de realizar o ritual do YONI por estes métodos, o devoto atinge tudo o que deseja – não há dúvidas sobre isso. Fazendo a adoração do grande YONI, que liberta do oceano da miséria, ele obtém vida e vitalidade ampliada."

Parte 2

DEVÍ disse:

“Deus dos deuses, senhor de todo o universo, causa da criação, manutenção e destruição, sem você não há pai, assim como sem mim não há mãe. Você falou sobre o modo de realizar a adoração ao YONI através da união sexual [MAITHUNA]. Que tipos de YONI devem ser cultuados, e quais trazem bons resultados?”

"O devoto deve cultuar o YONI da mãe, e unir-se a todos os YONI. Ele pode realizar MAITHUNA com qualquer mulher, entre as idades de 12 e 60 anos. Ele deve cultuar o YONI diariamente, usando os cinco princípios [PAÑCATATTVA = vinho, carne, peixe, cereal e mulher]. Vendo o YONI, ele ganha o mérito de se banhar em dez mil lugares de peregrinação. A marca na testa deve ser feita com YONITATTVA e a roupa deve ser to tipo KAULA. O material utilizado para se assentar e para o culto deve ser do tipo KULA. Primeiro, na união, o devoto puro deve puxar a SAKTI para si pelo cabelo e deve colocar o LINGA em suas mãos. A adoração do LINGA e a adoração do YONI devem ser realizados de acordo com as normas. Ó amada, deve-se untar o LINGA com pó vermelho e com sândalo. O LINGA deve ser inserido no YONI e deve ser feito um MAITHUNA vigoroso. Aquele que utiliza esse método atinge a essência mais elevada. Um devoto deve cultuar utilizando o YONITATTVA, que tem o poder do YONI, aquele que ilude o mundo, à noite, durante a lua cheia, numa encruzilhada. Depois de ir a um lugar de cremação, oferecendo peixe cozido, leite, comida e carne, ele se torna como KUBERA, o deus das riquezas. Deve-se traçar no chão um YANTRA sob a forma de um YONI, recitando o mantra. Ó DEVÍ, depois de recitar o KAVACA, uma pessoa deve recitar os 1.000 nomes [da deusa]. Ele se torna um filho de KALIKA e se liberta. Oferecendo carne em um lugar deserto e repetindo o mantra e o hino, ele se torna o senhor do YOGA. Tendo visto o YONI em plena menstruação, depois de se banhar e recitar o mantra 108 vezes, uma pessoa se torna SIVA na terra. Deve-se recitar o mantra depois de oferecer tanto o seu próprio sêmen quanto as flores do YONI. Durante a noite, devem ser oferecidos peixe cozido, ovo, carne de rato, carne de boi, carne humana, vinho, carne e cereal. Seja onde for que esteja esse grande lugar de oferecimentos, lá está a grande essência. Deve-se ficar nu, com os cabelos soltos, de pé na postura do caçador [PRATYALIDHA]. Em todos os instantes e em todos os lugares, o mantra deve ser recitado quando estiver no grande YONI. Deve-se cultuar a essência de DEVÍ, o poder sob a forma de SAKTI. Fazendo isso, um homem atinge as quatro metas [DHARMA, ARTHA, KAMA, MOKSA]. Os SADHAKAs, reunindo-se à noite, deve fazer oferecimentos com vinho e carne. Um SADHAKA deve sempre se unir ao YONI, depois de acariciar os seios de SAKTI. Se a união for realizada na postura VIPARITA, a SAKTI se torna a deusa. O SADHAKA se regenera instantaneamente e se torna completamente vivo utilizando a água que lavou o YONI e o LINGA. Depois de cultuar o grande YONI de acordo com as normas, deve-se fazer um oferecimento. A água do YONI é de três tipos e deve-se oferecê-la a SAKTI. Depois de misturar a água com vinho, ó MAHADEVÁ, um SADHAKA puro deve bebê-lo. A mulher superior ficará contente oferecendo-lhe roupas, perfumes e jóias. Enquanto estiver no YONI, deve-se cultuar a sabedoria, durante a noite, de acordo com o ritual. O melhor dos SADHAKAs deve misturar os líquidos do YONI e do LINGA na água, e provando dessa bebida da imortalidade [AMÙTA] ele deve se nutrir com ela."

Tradução: Roberto A. Martins
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O Templo de Hirapur, na cidade de Orissa (Índia), 64 imagens de Yoginis - com corpos voluptuosos, acompanhadas com animais, algumas destas com o próprio rosto de algum animal correspondente, portando armas e/ou instrumentos mágicos - estão disponibilizadas em círculo (mandala-chakra-yantra), a céu aberto.

De acordo com os poucos registros a cerca de seu culto, oculto e secreto, as Yoginis representaram no período medieval um dos aspectos de adoração ao feminino dentro da tradição tântrica hindú, com correspondência no tantrismo budista (onde são conhecidas como Dakinis). O Templo de Hirapur é apenas um dos 4 outros templos que se tem registros, dedicados as 64 Yoginis.

Segundo Feuerstein, em "Tantra: Sexualidade e Espiritualidade":

"As Yoginis, veneradas como divindades, foram originalmente mulheres iniciadas e iniciadoras nos segredos do tantra. Seu número é altamente simbólico (...). As esculturas das Yoginis estão dispostas em torno da imagem de Shiva, quer na forma antropomórfica, quer como Lingam(...)"

Algumas informações a cerca deste culto tem sido compartilhadas na comunidade "Culto as Yoginis" no orkut, cuja descrição e link são:

"Esta comunidade é dedicada ao estudo do culto tântrico às Yoginis, uma tradição que se estende desde a pré-história, atravessa a era védica e solidifica-se por volta do século 4 d.C, unindo vários cultos dos vilarejos com elementos da tradição védica bramânica. Representa uma cultura paralela que é influenciada e influencia a religião oficial. Pode-se considerar essa tradição a precursora do Tantra.

As yoginis eram mulheres iniciadas, exímias nas artes mágicas e sexuais, que reuniam-se em círculos sagrados (chakras) para realizar seus rituais. Os escassos registros a que se tem acesso são esculturas de 64 Yoginis em templos circulares sem teto em diversas partes da Índia (especialmente, os templos de Hirapur, Khajuraho e Bheraghat). Especula-se que os templos não possuíam teto porque no auge de seus ritos, as Yoginis levantavam vôo em direção a outros planos. Seus rituais eram realizados principalmente para se adquirir poderes yóguicos e alcançar a união mística com a Grande Mãe."

>> http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=14952030

Neste outro link, você poderá ter acesso a imagens com detalhes sobre o templo de Hirapur, vale a visita:

>> http://www.shrifreedom.com/yoginis/1/index.htm

Outros links para pesquisas:

>> http://www.khandro.net/dakini_the64.htm
>>http://www.shivashakti.com/matsya.htm
>>http://www.meta-religion.com/Esoterism/Tantra/chakras_and_the_64_yoginis.htm
>>http://www.aa.tufs.ac.jp/~mmine/indspace/dcs12.html

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A Mãe Cósmica
Um Aspecto de Deus
(Trechos)
Paramhansa Yogananda
SELF-REALIZATION FELLOWSHIP PUBLISHING HOUSE
Mount Washington Estates Los Angeles 65, California


Copyright, 1945, by Self-Realization Fellowship First Edition, 1945

"A abelha de minha mente adora beber do lótus azul de Teus pés... Ó Mãe Divina, a abelha de minha mente se absorveu em Teus pés de lótus de luz azul. Ela bebe o mel de Teu amor maternal. Essa Tua abelha real não beberá outro mel que não seja o que é agraciado por Teu perfume. Ó Mãe Divina, voando acima de todos os jardins de minha fantasia, negando a mim mesmo o mel de todos os prazeres, afinal encontrei a secreta ambrosia de Teu coração de lótus. Eu era Tua abelha atarefada, que voava pelos campos das encarnações, aspirando o alento das experiências; já não vagarei, pois Tua fragrância apagou a sede de perfume de minha alma."

(“Sussurros da Eternidade”, ed. 1949)
A onipresença da Mãe Divina

"Não há nada maior do que sentir que Ela está com você. Então, medite na presença da Mãe Divina, que cuidará de você em todos os sentidos, seja a sua dificuldade tristeza, dor ou doença. Ore com inteligência, com a alma explodindo, raramente em voz alta, de preferência mentalmente, sem mostrar a ninguém o que se passa em seu íntimo. Ore inteligentemente, com máxima devoção, como se Deus estivesse escutando tudo que você afirma mentalmente, em seu interior. Continue orando pela noite adentro, na solidão de sua alma. Ore até que Ela lhe responda por meio da voz inteligível da suprema alegria que explode, formigando em cada célula do corpo e em cada pensamento, ou por meio de visões claras que descrevam o que você deve fazer. Aprenda a trabalhar pela Mãe Cósmica como você trabalharia para sua própria mãe. Perceba que você está aqui para amá-La e promover a causa Dela como você mesmo se ajudaria. Todas as formas de amor humano, em sua perfeição, estão encerradas no amor de Deus. Não clame à Mãe Divina como o bebê que pára de chorar tão logo a mãe lhe manda um brinquedo, mas chore sem cessar, rasgando o coração da Mãe Divina, tal qual um divino bebê teimoso que rejeita todas as atrações e brinquedos de nome, fama, poder e posses – e então você encontrará a resposta para suas orações. Uma vez, eu estava em Palm Springs. Sob o céu do deserto, eu cantava hinos devocionais da Índia. Então, nas pedras, nas palmeiras e em todos os lugares, eu A vi. É verdade que Deus não tem forma, mas pode assumir qualquer forma que o devoto queira, só para agradá-lo. Assim, quando eu estava cantando esta canção: “Mãe, minh’alma clama por Ti. Não podes mais Te esconder de mim. Vem do silencioso céu, de minha gruta de silêncio” – Ela apareceu em toda parte. Você não tem idéia de como é maravilhosa a Mãe Divina. Quão grande Ela é! Quão amorosa! Como Ela é importante para a sua felicidade!

A Única Bem-Amada

Sim, Ela é a fonte de seu bem-estar, porque você só está aqui por pouco tempo. Tudo que você experimenta é temporário. Somente a associação com Deus é permanente e para sempre; e, já que é assim, você precisa não se deixar iludir pelas tentações do mundo, a ponto de se esquecer Dele. O Criador pode ser conhecido. O Senhor-Senhora do universo, que pisca nas estrelas, cujo palpitar da vida está em toda folha de grama, é o Ser que você precisa encontrar. Essa é a coisa mais importante do mundo. Você precisa buscar a BemAmada no templo do silêncio. Quando seu coração clamar pela Mãe Divina, várias e várias vezes, com devoção e atenção inextinguíveis, então você A encontrará. Deus pode ser realizado. Deus pode ser conhecido. Não lhes falo de um Deus desconhecido, mas de Alguém que eu conheço – Alguém que é mais real para mim que todas as coisas que você percebe a seu redor. Alguém que é o próprio oceano por debaixo das ondas de nossas vidas. Você pode passar sem qualquer outra coisa, mas não pode viver sem Deus. E lembre-se: a Bem-Amada só pode ser conhecida no segredo de sua devoção. Se deixar que muitas pessoas saibam de sua devoção, você não terá êxito. Precisa criar amor pela Bem-Amada Divina em seu templo de silêncio, com a súplica incessante: “Revela-Te. Revela-Te.” Sim, é correto rezar às vezes por coisas de que necessita, mas seu primeiro desejo deve ser o de conhecer Deus, que não pode ser conhecido sem se aderir às leis divinas, sem que se siga um dos caminhos que levam à Fonte. Você precisa experimentar dentro de si todos os princípios sobre os quais estuda. Isso você só pode conseguir por meio da meditação. Ao pensar em Deus – como Mãe, Pai, Amigo ou Bem-Amado – você não deve ter medo de se perder no Infinito, pois mesmo que assim se perca, ganhará tudo no além. Quem salvar a própria vida voltará a perdê-la, mas quem perder sua vida em Deus se tornará imortal. Você precisa se expandir e dissolver sua consciência na consciência imortal de Deus como Mãe Divina em seu interior, percebendo: “Deus como Mãe Divina está dentro de mim, fora de mim, em toda parte. Curvo-me diante Dela. Eu e minha Mãe Divina somos um. Eu e minha Mãe Divina somos um.” Mãe Divina, curvo-me a Ti no altar do céu e do oceano. Curvo-me a Ti no altar das religiões universais e manifestando-Te nos grandes Mestres. Curvo-me a Ti, ó Mãe, quando Te vejo manifestada em todas as mães. Mãe Divina, escutarei Tuas canções acima de todas as canções da alma. Assistirei ao movimento de Teus músculos nas ondas do mar. Enquanto vagueio na floresta de meus pensamentos inquietos, seguirei a trilha da concentração que conduz a Ti. Tu és o amor que sinto por detrás do afeto familiar, conjugal e fraterno. Tu és o amor por detrás de todos os amores. Prostro-me diante de Ti. 15

Vem a mim como Bondade

(Inspirado em uma canção de Ram Prasad)*
Paramhansa Yogananda

"Verei amanhecer o dia, ó Mãe Divina, em que meu pronunciar de Teu nome trará consigo uma enchente de lágrimas, que inundará a aridez de meu coração e derrubará os portões escuros de minha ignorância? Então, no lago de minhas lágrimas acumuladas, florescerá o lótus luminoso da sabedoria, e as trevas de minha mente serão dissipadas. Ó Mãe Divina sem forma e que tudo permeias, vem a mim na forma tangível da bondade e leva-me para bem longe das praias da tristeza."
(“Sussurros da Eternidade”, ed. 1949)
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T.M.P. Mahadevan, Outlines of Hinduism, p.203 - 206.

"De todos os cultos tântricos, a tradição dos Shâkta é a que mais tem sofrido críticas, em razão de um entendimento e práticas errôneos. Muitos vêem neles somente 'lascívia, mistério e magia negra, superstições tolas e vulgares'. Mas estudando-se mais profundamente os Shâkta Tantras com o propósito de entendê-los, encontra-se muito sentido nos princípios neles ensinados.

Filosoficamente, o Shâkta-darshana (filosofia, ponto de vista) é um tipo de não-dualismo. A realidade, de acordo com ele, é não-dual (advaita); é da natureza da Existência-Consciência-Beatitude (saccidânanda). É nirguna, isto é sem atributos, no sentido que não há distinções nela. Nada é real além dela. Todas as coisas são idênticas a ela. A realidade não-dual manifesta-se como o mundo de pluralidade através do poder de mâyâ. Até este ponto, o Advaita do Shaktismo está em acordo com o de Shankara (Vedanta clássico). Mas, enquanto para Shankara mâyâ é o princípio de ilusão que vela o verdadeiro Brahman (Ser Universal) e projeta-se no mundo irreal, para o Shaktismo, mâyâ é um poder real, manifestando-se na forma do universo diversificado. A esse respeito,o ensinamento dos Shâkta é idêntico ao do Shivaísmo de Kâshmira. Ambos consideram a realidade última como sendo Shiva-Shakti, Consciência-Poder. Shiva é o princípio estático da consciência enquanto Shakti é o princípio cinético. Os Shâkta Tantras representam esta verdade pelo célebre provérbio, 'Shiva sem Shakti é shava (cadáver)' e pela figura de cinco cadáveres de Shiva sustentando o trono da Mãe do Mundo, nas deslumbrantes florestas da Ilha das Pedras Preciosas (Manidvîpa), cujas areias douradas são banhadas pelo Oceano da Imortalidade (amrta).

Enquanto Shiva é a fundação básica da criação, Shakti é seu princípio dinâmico, móvel. Há dois aspectos de Shakti, vidyâ ou chit-shakti e avidyâ ou mâyâ-shakti. Chit-shakti é da natureza da Iluminação e Consciência (prakâsha). Mâyâ-shakti é a mesma consciência que oculta a si mesma e projeta-se no mundo. É a potência do vir-a-ser, a semente da evolução (vimarsha). Através de mâyâ, o Um torna-se Muitos, o Infinito torna-se finito, o Supremo Espírito torna-se o mundo de Mente, Vida e Matéria. A evolução não afeta, realmente, a natureza de Shiva, que não é somente da forma do universo (vishvamaya) mas está além dele (vishvottîrna).

Em um mundo dominado por conceitos masculinos e com tendências profanas, a ênfase da filosofia Shâkta na maternidade de Deus é fascinante. É necessário ressaltar, no entanto, que Shakti é mulher somente figurativamente e simbólicamente. Shakti é Deus como o princípio de produtividade; e o Shâkta dá a Ele a forma feminina para propósitos de culto. Na verdade, segundo sua filosofia, a realidade última nem é masculina nem feminina. Um hino dedicado a Shakti o Mahâkâla-samhitâ diz:

'Tu não és nem menina nem donzela nem velha. Na verdade, tu não és nem feminino nem masculino nem neutro. Tu és inconcebível, poder imensurável, o Ser de tudo que existe, livre de toda dualidade, o supremo Brahman, acessível somente pela Iluminação'."

Fonte: http://www.geocities.com/livrosagrados/
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